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Director da revista
Silvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita

Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia - 3
  • Editorial - Sílvia Vaz Serra - 4
  • Adaptação Cultural e Validação da Pain Assessment Checklist for Seniors with Limited Ability to Communicate (PACSLAC) para a População Portuguesa - Renato Santos, Alexandre Castro-Caldas e Thomas Hadjistavropoulos - 5
  • Dor da Cintura Pélvica na Grávida - Raquel Louzada, Vasco Pereira, Laila Castel-Branco,
Bárbara Ribeiro, Jorge Cortez e João Silva Duarte - 11
  • A Prática de Atividades Físicas e Desportivas Intensas
e o Significado de Dor: um «Autoestudo» de Caso - Luzia Lima-Rodrigues - 17
  • Controversias en el Uso de los Antiinflamatorios
no Esteroideos - María del Mar Domínguez García y Fatma Wade Lorenzo - 21
  • Analgesia Pós-Parto Vaginal. O que Fazer? - Ana Cunha, Ana Almeida, Liliana Almeida,
Alexandra Cruz, Celeste Costa e Isabel Vilhena - 27
  • Eficácia e Tolerabilidade da Aplicação Tópica
de Capsaicina 8% no Tratamento da Dor
Neuropática Periférica: Estudo Prospectivo - Rita Poeira e Maria Rosário Alonso - 34
  • A Catastrofização da Dor como Variável Mediadora entre a Ansiedade Pré-Cirúrgica e a Dor Aguda Pós-Cirúrgica após Histerectomia - Patrícia R. Pinto, Armando Almeida e Vera Araújo-Soares - 41

Editorial - Sílvia Vaz Serra

As minhas primeiras palavras, neste primeiro volume de 2012, são de agradecimento e endereçam-se a todos aqueles que colaboraram com a revista Dor e permitiram que o objetivo traçado para o ano de 2011 (parecia tão inverosímil!) de acertar o tempo real com o tempo da revista fosse alcançado. Considero que o conhecimento do momento está sempre desajustado com o tempo real. No mesmo instante em que algo é interpretado como inovação, descoberta, no mesmo instante começa a ser questionado, colocado em dúvida... e é bom que assim seja. A importância da revista «andar a horas» é equivalente à necessidade de objetivar a intensidade da dor. O valor em si tem menos realce que a monitorização da evolução da intensidade da dor. O mesmo se passa com a evolução dos conceitos, das terapêuticas, dos temas, das perspetivas que vão sendo explanadas ao longo das revistas e ao sabor da experiência acumulada e do conhecimento científico do mo- mento, um ad continuum...

O volume abre com um artigo que se debruça sobre o desenvolvimento de um instrumento de heteroavaliação que permite avaliar a intensidade da dor na população de doentes idosos ou com demência. É cada vez mais pertinente não descurar esta grande franja da população portuguesa que sofre de dor crónica e trazer-lhe qualidade de vida e dignidade.

Realçar a chamada de atenção para uma entidade tão pouco diagnosticada – dor da cintura pélvica na gravidez – através de um artigo de revisão que enaltece a importância de futuros ensaios clínicos randomizados e multicêntricos como forma de se efetuar um correto diagnóstico e tratamento desta situação clínica. Uma sugestão de trabalho?

Dor em Cuidados Intensivos – uma outra área tão esquecida que necessita de uma abordagem mais sistemática e abrangente.

O artigo seguinte relata o testemunho (na primeira pessoa, difícil e impressionante) de alguém que vivenciou a dor de uma outra maneira e que acrescentou uma outra dimensão à experiência de dor. Obrigado.

Os anti-inflamatórios não-esteróides fazem parte do nosso arsenal terapêutico, pelo que nunca é demais rever as suas indicações e efeitos secundários, chamando a atenção para duas áreas particulares: a dor lombar e o doente idoso.

A constatação da importância do alívio da dor no pós-parto vaginal levou a que uns colegas elaborassem um estudo prospetivo comparativo sobre a utilização de morfina epidural versus analgésicos minor, tendo como outcomes o grau de satisfação, a analgesia obtida, os efeitos adversos e a necessidade ou não de analgesia de resgate.

Um outro artigo relata um estudo prospetivo sobre a utilização de um fármaco conhecido – capsaicina – que apresenta um novo sistema de aplicação dérmica com alta concentração. É uma experiência inicial desta modalidade terapêutica na prática clínica de situações de dor neuropática periférica.

Este volume termina – the last but not the least – com o comentário a um artigo muito pertinente e atual que avalia a relação entre ansiedade pré-cirúrgica, catastrofização da dor e a gravidade e intensidade da dor pós-cirúrgica. Os resultados deste estudo apontam para a mudança do foco para os fatores cognitivos na experiência de dor aguda pós-operatória.

Uma última palavra. A revista Dor é o espelho, uma das faces visíveis da Associação Portu- guesa para o Estudo da Dor (APED), mas também pretende ser o espaço de reflexão e de debate, livre e aberto a todos os que têm algo a acrescentar em termos de dor nas suas múltiplas vertentes.

Perspetivam-se tempos exigentes e difíceis que se repercutem em todas as áreas da dor, o que torna um desafio para todos a correta abordagem da dor. Porque não interpretar a dor da mesma forma que Valter Hugo Mãe encara a literatura: «a literatura não é uma narrativa plana mas sim uma reportagem. É um modo de discussão, escrever, criativamente. É preciso encontrar lugares que não sejam comuns».

Até breve.

Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia

2012... Ano em que pela primeira vez, desde há muito, a revista Dor respeita a periodicidade dese- jada pela sua Direção e reclamada pelos seus leitores e anunciantes.

2012, ano de crise, de angústia, de alguma ausência ou distorção de valores ou de referências, mas também ano da esperança num porvir que todos pretendemos almejar, sem as restrições e as dificuldades do momento, em que o tratamento da dor não seja mera figura de retórica, desprovida no tempo, sem meios ou recursos, que ameaçam dificultar de forma extrema o nosso objetivo, de proporcionar os melhores cuidados possíveis aos nossos doentes, razão e ser da nossa atividade.

2012, ano que, legitimados por uma assembleia geral participativa, em que o debate franco, as propostas inovadoras, os comentários por vezes incisivos ou assertivos, traduzem a vitalidade de uma sociedade, em que a acefalia o unamismo ou cinzentismo não existem, mas providos do mesmo objetivo «tratar a dor», contribuir de forma insofismável para uma maior e melhor da qualidade de vida dos nossos pacientes.

Por estes motivos, com o apoio reafirmado dos nossos sócios, iremos dedicar este ano uma atenção particular às atividades formativas organizadas pela Associação Portuguesa de Esudo da Dor (APED), crendo que apenas aperfeiçoan- do a nossa formação, atualizando-a, ensinando as novas gerações dos diferentes estratos pro- fissionais, educando os nossos doentes e cuidadores, será possível atingir os objetivos que todos nos propusemos. Eventos esses que serão diferidos durante todo o ano, mantendo uma continuidade nos trabalhos a que pretendemos aliar a uma descontinuidade geográfica, uma proximidade efetiva, permitindo abranger o maior número de pessoas possíveis, minizando as suas deslocações.

2012, ano em será da maior importância implementar de forma consensual, progressiva, sistemática, continuada e uniformizada os denominados «registos eletrónicos» nas Unidades de Dor, permitindo uma gestão adequada e otimizada dos meios e recursos disponíveis.

Neste ano organizaremos na região Centro o V Encontro das Unidades de Dor, durante a Semana Europeia/Dia Nacional de Luta Contra a Dor (20 e 21 de outubro), para o qual estão naturalmente convidados, não para apenas
participarem no evento, mas contribuindo com as vossas propostas e sugestões para elaborarmos um programa que traduza os vossos anseios e necessidades, que não reproduza modelos porventura algo esgotados ou se traduza numa mera repetição de temas ou assuntos porventura importantes, desde há muito debatidos, nunca encerrados, mas...

Apostando em novos modelos ou figurinos, se for esse o vosso entendimento, decidimos organizar este Encontro das Unidades, pesando as diferentes variáveis e conciliando a solicitação e o entusiasmo das nossas colegas de Leiria, em local a anunciar muito brevemente nessa região do país. Acreditamos que poderemos, pese algumas dificuldades, sensibilizar a sociedade civil e os decisores, não apenas no âmbito regional, mas também abrangendo o todo nacional.

Por estes e outros motivos, porque os media desempenham um papel fundamental, imprescindível para a divulgação do tema «dor», foi decidido em parceria com a Fundação Grünenthal organizar pela primeira vez em Portugal um Prémio de Jornalismo na área da Dor, à qual poderão concorrer trabalhos publicados (desde o dia 1 de outubro de 2011 até 30 de abril de 2012) num meio de comunicação em Portugal, este ano nas categorias de Imprensa e Televisão.

Ano que pretendemos pleno de atividades, apesar das dificuldades reais existentes, mas que acreditamos na sua viabilidade e interesse.

Não posso, nem quero terminar sem uma referência muito breve, mas com muito tristeza e comoção, a dois grandes amigos, o Rui Silva e o Emanuel Gomes, com quem durante muitos anos privei e em conjunto trabalhamos, repartindo os bons e os maus momentos, desfrutando da ponderação, sensatez, do entusiasmo e dedicação de ambos, que partiram, vítimas de doença dura, cruel, limitativa e incapacitante, enfrentando com uma enorme dignidade o sofrimento, porventura amargurados ou desiludidos pela injustiça dos homens e pela memória curta de algumas instituições. A Unidade de Dor do Funchal e o Hospital Nélio Mendonça ficaram seguramente mais pobres, mas o seu exemplo perdurará no vindar dos tempos para além das suas vida terrenas, curtas e transitórias. Até sempre!... Requiem in pacem...