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Director da revista
Silvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita

Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia - 3
  • Editorial - Sílvia Vaz Serra - 4
  • Síndrome das Pernas Inquietas Secundário:
Revisão a Propósito de um Caso Clínico - António Cunha, Joana Santos, Filipe Antunes e Armanda Lobarinhas - 5
  • Placebo na Dor - Luísa Carvalho - 11
  • Estudos de Velocidades de Condução em Doentes
com Fibromialgia Versus Controlos Saudáveis – Resultados Preliminares de um Estudo Prospectivo - Ana Lima, Ana Cristina Sousa, Carla Afonso e Luís Gonçalves - 16
  • Metadona: Da Singularidade do Opióide
à Complexidade do Tratamento da Dor Crónica - Paulo Reis-Pina - 23
  • Dor Crónica Não-Oncológica: a Dificuldade
no Controlo Álgico - Teresa Ferreira
 - 29
  • Estatutos da APED - 37
  • Regulamento - 44

Editorial - Sílvia Vaz Serra

É sempre penoso retomar os trabalhos depois da época estival (este ano pouco digna desse nome). O setembro parece mais promissor...

É tempo de rever o que foi feito e o que ficou pendente, projetado, interrompido pelas pausas alheias, ou não.

Este é o 2.o volume de 2011, muito do atraso foi recuperado – estamos todos no bom caminho.

«O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova»1.

A revista Dor vai publicar, já no próximo volume, as Normas de Orientação Clínica para a Dor Neuropática Localizada (elaboradas no Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, sob a coordenação do Professor Doutor Vaz Carneiro). Para além da utilidade e pertinência das mesmas (que contribui para a transmissão e divulgação do «bem fazer»), é de assinalar o caráter precursor e científico do mesmo.

Este ano será entregue o prémio Revista Dor/ Bene, que premeia o melhor artigo de Ciências Básicas e o melhor artigo Clínico em Dor, publicados no ano de 2010 na nossa revista. Para além de ser mais um incentivo à publicação científica, assinala a importância da nossa revista como veículo de transmissão e partilha de conhecimento.

«Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto quei- ras só metade»1.

Bem, todas estas notas (francamente positivas) já foram apontadas pelo nosso presidente, mas o que gostaria de salientar é que o esforço de todos tem produzido frutos. Neste mundo instável, conturbado e inquietante (assim como o país...), a única certeza que temos é que só com trabalho, exigência e rigor, aliados a um espírito crítico e ousado, se pode fazer a diferença.

«É uma tolice desculpar um falhado com argumentos de meio, época, saúde, idade, etc. O verdadeiro triunfador cria as condições da sua realização. Que se importa a gente com as doenças de Beethoven, e que pesam elas na sua obra? A natureza, quando dá génio, dá forças, tempo e coragem para vencer todos os obstáculos que o não deixem desabrochar. Não há malogrados...»2.

Neste volume politemático e multidisciplinar, são abordados assuntos tão díspares como a síndrome das pernas inquietas, essa entidade não totalmente compreendida e subdiagnosticada na prática clínica; o estudo da velocidade de condução como possível critério minor/indicador no diagnóstico da fibromialgia; o funcionamento do placebo e a polémica utilização de um fármaco unicamente como placebo; as características peculiares da metadona que a colocam como alternativa no controlo de síndromes álgicas complexas até à discussão daquele caso, difícil (quem não os tem...) em controlar a dor. Despertei a curiosidade? Não vai ficar defraudado... uma boa troca de ideias é sempre salutar.

«Não há maneira. Por mais boa vontade que tenham todos, uma discussão nesta santa terra portuguesa acaba sempre aos berros e aos insultos. Ninguém é capaz de expor as suas razões sem a convicção de que diz a última palavra. E a desgraça é que a esta presunção do espírito se junta ainda a nossa velha tendência apostólica, que onde sente um náufrago tem de o salvar. O resultado é tornar-se impossível qualquer colaboração nas ideias, o alargamento da cultura e de gosto, e dar-se uma trágica concentração de tudo na mesquinhez do individual»3.

Até breve.

Bibliografia
1. Torga M.
2. Torga M. Diário (1945).
3. Torga M. Diário (1940).

Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia

Neste final de julho de 2011, escrevo-vos esta «Página do Presidente» que será publicada na revista Dor n.o 2 de 2011, com um misto de alegria e deceção.

Deceção porque não conseguimos atingir o objetivo que nos propúnhamos de regularizar por completo a publicação da revista Dor no primeiro semestre de 2011.

Satisfação e orgulho, que com a vossa colaboração e participação este número será distribuído nas próximas semanas, estando a ser ultimados os próximos (n.o 3 e n.o 4 de 2011), permitindo, sem transigir na qualidade e rigor, publicar atempadamente a revista, cuja sustentabilidade financeira foi finalmente atingida.

Satisfação ainda por finalmente termos concluído um longo e morosíssimo processo de revisão, alteração e registo notarial dos estatutos da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) e obtido de forma oficial a concessão e registo da «marca APED» que nos permitirá a utilização plena desta sigla.

Orgulho, por integrar uma sociedade que comemorou no sábado, dia 4 de junho de 2011, o seu XX aniversário, com um evento denominado «Retorno às Origens, da APED, a Partir d’Hoje», onde recordámos e homenageámos de forma singela mas muito senti- da, todos aqueles que foram referência na investigação, no estudo e no tratamento da dor em Portugal, já retirados da sua vida profissional ativa, das instituições que fundaram ou integraram.

E se ao recordar o passado, retirando todas as suas ilações, pretendemos preparar o futuro, continuamos a trabalhar com afinco, tentando com o vosso imprescindível apoio dinamizar a APED, de acordo com os objetivos que nos propusemos, correspondendo aos vossos anseios.

Reunimos e estabelecemos recentemente um protocolo com a Sociedad Española del Dolor (SED) de colaboração mútua, com objetivos concretos que divulgaremos num futuro muito próximo, estamos a preparar o regulamento para atribuição de bolsas de formação no estrangeiro, patrocinadas pela Jansen Cilag e pela Grunenthal, participaremos no XX Congresso do Clube de Anestesia Regional, dedicando uma tarde deste evento ao tratamento da dor sob o tema «Lombalgia e Dor Musculoesquelética: do Neurónio à Imagem».

Estamos a organizar os eventos comemorativos da Semana Europeia (10 a 14 de outubro) e do Dia Nacional de Luta Contra a Dor (14 de outubro).
Pretendemos que os mesmos não se confinem a Lisboa, restritos às «cerimónias oficiais», mas que cada um de vós, nos vossos locais de trabalho, organizem uma atividade alusiva, vocacionada para o público ou para os profissionais de saúde, contribuindo de forma inequívoca para o sucesso desta Semana Europeia.

A vossa participação, colaboração e empenho é fundamental para um evento anual, que pretendemos que obtenha uma dimensão nacional, com a inerente repercussão mediática.

Em Lisboa, iremos organizar, em parceria com a Fundação Grunenthal, um curso «Pain Management, State of the Art» solidário com Moçambique, nos dias 13 e 14 de outubro de 2011, na Fundação Champalimaud, para o qual estão publicamente convidados.

Curso solidário, promovendo de uma forma continuada a nossa colaboração com a organização não-governamental Douleurs Sans Frontières (DSF) e com os profissionais que se dedicam ao tratamento da dor na República de Moçambique. A vossa participação é imprescindível, para que a solidariedade não seja uma mera figura de retórica, desfasada no tempo e no espaço.

Nesta época de crise e incerteza, em que os valo- res e referências são inúmeras vezes questionados e questionáveis, organizaremos na Fundação Champalimaud na sexta-feira, Dia Nacional de Luta Contra a Dor, uma mesa de discussão e controvérsia denomi- nada «Aspetos Éticos, Sociais e Económicos da Dor», para a qual convidaremos alguma figuras de relevo na vida pública nacional.

Nesse dia, como é tradição, durante a cerimónia oficial entregaremos formalmente os prémios «Desenhar a Minha Dor», «Grunental Dor» e «Melhor Artigo da Revista Dor 2010».

Considerando que a nossa atividade não se restringe apenas aos sócios e profissionais de saúde, iremos organizar nessa semana um evento denominado «Dançar com a Dor» destinado ao grande público, que acreditamos que, além de inovador, será um sucesso.

E, por último, não posso deixar de referir o quão nos sentimos honrados em publicar, publicitar e difundir, muito brevemente, as normas de orientação clínica (NOC) para a dor neuropática, elaboradas pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da FML, dirigido pelo Professor Vaz Carneiro, entidade de referência nacional e reconhecido prestígio internacional, que são um contributo extremamente importante no tratamento destas patologias.

Possivelmente estaremos aquém das expectativas que porventura muitos de vós em nós depositaram, mas acreditamos que uma Sociedade será sempre os que os seus associados o desejarem. É de importância primordial a vossa participação e intervenção nos destinos da APED.

Conto convosco!... Umas excelentes e merecidas férias!