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Director da revista
Silvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita



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Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia - 3
  • Editorial - Silvia Vaz Serra - 4
  • Antagonistas do Receptor N-metil-D-aspartato na Abordagem da Dor Crónica Pós-operatória - 5
  • Plantas e Dor. Contributo para o Estudo Etnoantropológico do Tratamento da Dor - J.J. Figueiredo Lima - 14
  • Qualidade de Vida Através da Dança - Diana Rodrigues - 29
  • Douleurs Sans Frontières - Duarte Correia - 32

Editorial - Silvia Vaz Serra

Ao reler os artigos que completam este volume, não pude deixar de me questionar, uma vez mais, sobre a importância da partilha de experiências e conhecimentos, da transversalidade e das implicações que o fenómeno dor, global (neste mundo cada vez mais globalizado e individualizado), tem no quotidiano de todos nós.

Não consegui ficar indiferente ao muito que se faz de forma discreta e anónima, mas efectiva, na organização Douleur sans Frontières – uma participação cívica, frutuosa, plena de objectivos concretizáveis e estruturantes.

Quem não conhece o ditado popular «prevenir é o melhor remédio»? Neste volume poderei dizer que este dito foi abordado, explorado de vários ângulos, várias perspectivas. A importância da prevenção da dor crónica pós-operatória, entidade tão esquecida quão menosprezada... Remédio, o que é? Quantos dos nossos doentes não tomam «remédios» desconhecendo que, também, estão a ser medicados? Nesta era do retorno à essência do conhecimento, à «pureza e simplicidade» dos conteúdos (mesmo farmacológicos), é fundamental possuir o conhecimento das interacções de fármacos com as plantas, que têm tanto de banais como de ancestrais efeitos terapêuticos.

«A cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim. Para que cada um de nós possa viver dessa discussão infinita do mundo e de si mesmo.»

Jorge de Sena.

E que dizer da importância da dança, como forma de melhorar a qualidade de vida de um doente com dor?

Os diferentes olhares que a dor desperta ficam bem patentes e visíveis neste volume, mas muitos há (não tenho qualquer dúvida) que ainda não se traduziram em letras, palavras, texto e contexto mas que esta vossa, nossa revista quer registar.

«Como palavra comum, e mais do que ela, a escrita é um risco total. De uma maneira geral ninguém a lerá como o seu autor a concebeu. Ela será ocasião inevitável de desen- tendimento, desatenção, porventura irritação ou desprezo, mas igualmente de comunhão possível, de entusiasmo, sobretudo de veículo para o transporte do próprio sonho.»

Eduardo Lourenço.

Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia

A Página do Presidente!...

Ao iniciar este meu breve editorial, não posso deixar de recordar todos os insignes presidentes da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) que me precederam, em particular o Professor Doutor Castro Lopes e o Dr. José Romão, que muito contribuíram para que a revista Dor, órgão oficial da APED, tenha atingido este patamar que a todos nos dignifica.

Ao iniciar estas funções, acredito que iremos todos contribuir na justa medida das nossas possibilidades para um melhor tratamento da dor em Portugal, solidificando uma sociedade que se pretende plural, participativa, numa con- tinuidade evolutiva das presidências anteriores, que em muito transformaram o panorama da Medicina da Dor em Portugal.

Será um desafio, uma meta ambiciosa, concluir os objectivos das direcções que nos precederam, perspectivar novos rumos, contribuir para uma metamorfose da Medicina da Dor, permitindo uma maior e melhor acessibilidade dos nossos doentes, um maior crescimento e consolidação desta área do conhecimento científico, que se pretende pluri e interdisciplinar, numa participação abrangente de todas as pessoas e organizações com interesse na Medicina da Dor.

Constituimos uma equipa, coesa, participativa, na diversidade de pensamentos e opiniões, fruto de uma multidisciplinaridade, de formação e de conceitos, não sendo esta mera figura de retórica, desprovida de protagonismos estéreis, de dogmas ou de radicalismos inconsequentes, desfasados no tempo e no espaço.
Espaço que pretendemos plural, abrangente, conciliando ideias e objectivos, estabelecendo metas, definindo rumos, num trabalho continuado e persistente num grupo solidário e dedicado.

Sem promessas inexequíveis, facilitismos eleitoralistas, mas providos da opinião, do senso e do conhecimento, de todos aqueles que trabalham diariamente no tratamento da dor, propomo-nos, com humildade e tenacidade, reflectir os seus anseios e pugnar com o todo o nosso esforço e a coragem necessária, para proporcionar um «melhor cuidar» aos nossos doentes, que são razão e ser da nossa actividade.

Pretendemos uma continuidade da evolução, que não é, nem poderá ser, sinónimo de uma evolução na continuidade, dinamizando, agilizando, modificando e reformando uma sociedade, que não desejamos amorfa, anquilosada e espartilhada, numa letargia que repudiamos, realizando numa diversidade de conceitos, críticas, opiniões e sugestões, uma maior dinamização, participação e revitalização da APED, que será necessariamente o que os seus sócios o desejarem.

Pretendemos, e acreditamos, regularizar com a brevidade possível o atraso editorial da nossa revista, sendo fundamental e imprescindível a vossa colaboração e participação, enviando trabalhos e artigos, respeitando os prazos fixados pelos editores. Só assim será possível termos uma revista plural, de nível científico elevado, actualizada no tempo, atempadamente publicada e distribuída.

E por último, mas não em último, não posso deixar de agradecer a todos aqueles que de uma forma, objectiva, assumida e persistente, tornaram possível esta candidatura, e a eleição desta equipa de trabalho que muito me honra integrar.