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Director da revista
Sílvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita


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Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - José Romão - 3
  • Editorial - Sílvia Vaz Serra - 3
  • Nota Editorial - Zeferino Bastos - 4
  • A Dor no Doente Oncológico – um Desafio - José Luís Portela - 5
  • A Dor na Representação do Cinema - Graça Castanheira - 8
  • Delirium e Disfunção Cognitiva no Idoso: Relação com a Analgesia Pós-Operatória - Raquel Inácio e Isabel Bastardo - 11
  • Cronologia da Dor - Hugo Leite-Almeida e Armando Almeida - 17
  • Avaliação da Satisfação dos Pacientes com o Controlo da Dor Aguda do Pós-Operatório - Maria José Ramalho - 24
  • Bloqueio Axilar Contínuo na Síndrome Dolorosa Regional Complexa Tipo I: a Propósito de
um Caso Clínico - Lisette Matos, António Rincón, Ana Cristina Mangas, Elisabete Valente, Eunice Silva, Maria do Carmo Rocha - 30
  • Existirão Enviesamentos de Sexo Nos Julgamentos de Dor de Enfermeiros(as)? Sim... Mas Nem Sempre - Sónia F. Bernardes - 34

Editorial - Sílvia Vaz Serra

Não os quero maçar muito.
Uma pequena explicação que é, simultaneamente, um pedido de tolerância*.

Como certamente repararam (ou irão aperceberse), o «tempo» do número da revista não coincide com o «tempo real», com o instante em que escrevo estas linhas ou o momento em que alguns dos artigos (agora publicados) foram elaborados, baseados em informação actualizada, do «agora».

Mas o que é o tempo? Qual a relação entre o saber e o tempo real? Nietzsche escreveu que «a vontade de saber é a vontade de permanência e fixação» mas
o que era «devia» torna-se «ser», o que era «será?» transforma-se em «é», ou «não é». O que era dúvida torna-se conclusão, certeza. Einstein considera que o tempo é uma forma de relação e Norbert Elias afirma, categoricamente que «o tempo não existe em si, sendo antes de tudo um símbolo social, resultado de um longo processo de aprendizagem». Assim, o tempo «real» não é um dado objectivo, é mais uma relação, uma interligação de movimentos. A realidade é somente o «instante» e fora disso ou é passado ou futuro.

Obrigado.


*«A primeira lei da natureza é a tolerância – já que temos todos uma porção de erros e fraquezas», Voltaire.

Nota Editorial - Zeferino Bastos

É sempre com um misto de saudade e de orgulho que nos propomos falar dos amigos. Saudade porque sentimos a falta do seu convívio, orgulho quando reconhecemos os seus feitos.

Elogiar o amigo será sempre fácil porque se nos esquecermos de algo, a amizade faria com que fossemos perdoados. Enaltecer, neste caso, o cientista torna-se mais difícil, porque a sociedade exige de nós que divulguemos, sem omissões, o seu contributo para a ciência, alívio da dor e para a melhoria da qualidade de vida, em inúmeras circunstâncias.

O Dr. Nestor Rodrigues licenciou-se em Medicina, pela Universidade do Porto, em 1955, com a média final de 18 valores.

Especializou-se em Neurocirurgia, tendo sido estagiário de Neurologia e Neurocirurgia no Hospital de Santo António e assistente da Faculdade de Medicina do Porto. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e assistente na Faculdade de Medicina de Edimburgo, na Escócia.

Era especialista, em Neurocirurgia, pela Ordem dos Médicos e pela Carreira Hospitalar.

Foi membro da Comissão Executiva da Ordem dos Médicos e da Direcção do Colégio de Espe- cialidade de Neurocirurgia.

Era membro regular e honorário de diversas Sociedades Científicas Portuguesas e Estrangeiras.

Desenvolveu a sua actividade profissional como neurocirurgião, sendo Director de Serviço em Angola, Évora e no IPO Porto desde 1977.

Em Luanda, foi Professor convidado de Neurologia e Neurocirurgia na Universidade.

Em Évora, foi Director do Serviço de Neurocirurgia, subdirector do Hospital e Director do Internato Médico.

Em 1979, ao ingressar no IPO Porto, tive o grande privilégio de conhecer e trabalhar com o Dr. Nestor Rodrigues durante vários anos, quer na colaboração como anestesista em Neurocirurgia quer na área da Dor.

Foi um dos grandes impulsionadores da criação da Unidade da Dor do IPO Porto que iniciou a sua actividade em Maio de 1980, sendo seus fundadores o Dr. Nestor Rodrigues (Neurocirurgião), o Dr. Januário Veloso (Psiquiatra) e eu próprio (Anes- tesista).

Mais tarde juntaram-se outras especialidades (Fisiatria, Oncologia Médica, Radioterapia, etc.)

Integravam a Unidade da Dor, para além dos já citados médicos, enfermeiras, psicólogos, auxiliares de acção médica, pessoal administrativo, etc.

O Dr. Nestor Rodrigues, como coordenador daquela Unidade, a todos contagiava com o seu entusiasmo e exemplo.

Participou activamente na organização de diversos congressos, cursos, conferências e palestras,tendo sempre presente a vertente científica e a divulgação da Dor. O seu relacionamento com a comunidade científica nacional e internacional permitiu que fossem convidados a participar nestas acções cientistas de reconhecido mérito.

Além da terapêutica médica, criteriosamente usada e, inicialmente, muito limitada, eram utilizadas outras técnicas como a analgesia por via medular (a dar os primeiros passos), a hipofisectomia química, a cordotomia, a risotomia percutâ- nea, a dresotomia, a TENS, etc.

Novos fármacos que foram surgindo, como o tramadol, a buprenorfina, o fentanil transdérmico, os bifosfanatos, o estrôncio e outros foram submetidos a ensaios clínicos e judiciosamente utilizados.

O Dr. Nestor Rodrigues era Membro da International Association for the Study of Pain (IASP), tendo sido nomeado como seu representante em Portugal. Nessa qualidade, desenvolveu grande actividade de angariação de outros membros de modo que fosse possível constituir em Portugal uma secção/ capítulo da IASP. Assim surgiu a APED em 1992.

Foi o primeiro Presidente do Conselho Directivo da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) desde a sua fundação até 2001 quando foi eleito Presidente da Assembleia Geral.
Foi editor e membro do Conselho Científico da Revista Dor.
Foi um entusiasta da constituição da Federação Europeia dos Capítulos da IASP (EFIC), tendo sido seu Conselheiro.

Em Janeiro de 1999, e por influência da APED, de que era Presidente, foi constituído um grupo de trabalho, na Direcção-Geral da Saúde, com a finalidade de elaborar um Plano Nacional de Luta Contra a Dor (PNLC), que integrou e coordenou.

Esse grupo de trabalho fez um levantamento da situação da Dor em Portugal e propôs, tendo sido aceite, o dia 14 de Junho como Dia Nacional de Luta contra a Dor, comemorado pela primeira vez em 1999.

O PNLC foi aprovado por Despacho Ministerial de 26 de Março de 2001.
Sabedores de que esta não foi uma enumeração exaustiva das capacidades do Dr. Nestor Rodrigues e das suas qualidades de trabalho, que foi tão somente uma tentativa de relembrar, a todos aqueles que com ele contactaram e trabalharam, o quanto foi importante a sua acção na área da Dor.

Ao Homem, ao Cientista ilustre e Amigo, falecido em Agosto de 2009, em nome de todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver e trabalhar, em nome dos doentes, da APED e de mim próprio, deixo o testemunho da nossa admiração e um sentido agradecimento.

Março de 2010

Mensagem do Presidente da APED - José Romão

Este texto foi escrito em Julho de 2010 e não na data de capa.

A APED vai organizar de 14 a 16 de Outubro de 2010 em Lisboa, no Hotel Villa Rica, o 3.o Congresso Interdisciplinar de Dor. Pretende-se com este evento reunir profissionais com formações diversas e com interesse na investigação, diagnóstico e tratamento da dor. Com o intuito de estimular a produção científica será atribuído um prémio no valor de 2.000 € à melhor comunicação/poster. Contamos com a vossa participação.

O congresso ocorrerá durante a Semana Europeia Contra a Dor, este ano dedicada ao tema «O Impacto Social da Dor». Em jeito de pontapé de saída para o tema escolhido, a Federação Europeia dos Capítulos da IASP (EFIC) levou a efeito em Bruxelas o Simpósio Societal Impact of Pain nos dias 4 e 5 de Maio passado. Participaram profissionais da saúde, economistas e decisores políticos, entre outros. O assunto em epígrafe foi intensamente debatido. Foram apresentados dados relativos à epidemiologia da dor cró- nica em Portugal. A necessidade de envolver as autoridades ligadas à saúde nos diversos países para a adopção de políticas integradas de combate à dor, foi uma das conclusões mais relevantes. Com o objectivo de chamar a atenção para esta necessidade, a IASP está a programar uma cimeira internacional (International Pain Summit) para 3 de Setembro próximo, no Canadá. Neste campo Portugal adiantou-se, uma vez que há vários anos a APED tem colaborado proximamente com diversas entidades oficiais ligadas à saúde (Plano Nacional de Luta Contra a Dor [PNLC]; Programa Nacional de Controlo da Dor).

No dia 15 de Outubro celebrar-se-á o Dia Nacional de Luta Contra a Dor, e serão apresentados dados sobre o impacto da dor em Portugal.

Os actuais corpos gerentes da APED iniciaram funções em Junho de 2009. Como os mandatos são de três anos, facilmente se conclui que já deviam ter ocorrido eleições. O histórico mostra-nos quão difícil é mobilizar os sócios para as Assembleias Gerais, mesmo quando estas ocorrem em locais e datas justapostas a eventos científicos em que é provável a participação de um elevado número de sócios. Por esse motivo tomámos a decisão de prolongar os mandatos até Outubro e realizar o acto eleitoral em local e data sobreponíveis ao Congresso – dia 16 de Outubro pelas 14 horas e 30 minutos. Pedimos desculpa pelo abuso de confiança, mas acreditamos que as razões que nos movem vão merecer da vossa parte a necessária compreensão. Enviem as vossas propostas de listas para o secretariado da APED até 15 de Setembro.