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Director da revista
Sílvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita


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Súmario

  • Editorial - Sílvia Vaz Serra - 3
  • A Hiperactividade de Neurónios da Medula Espinhal
na Neuropatia Diabética Associa-se a Alterações na Expressão do Neurotransmissor Inibitório GABA
e do Transportador Iónico KCC2 - Carla Morgado, Filipa Pinto-Ribeiro e Isaura Tavares - 5
  • A Terra dá Flores Quando Insultada pela Dor - Maria José Vidigal - 13
  • Nevralgia do Trigémio na Esclerose Múltipla:
Que Diferenças? - Camila Nóbrega, Rita Almeida e Rui Pedrosa - 16
  • Gestão e Sustentabilidade das Unidades de Dor - Teresa Magalhães e João Silva Duarte - 21

Editorial - Sílvia Vaz Serra

Meus amigos,

Uma palavra de agradecimento aos colegas pintores que, gentilmente, acederam a ilustrar as capas destes números de 2008 com as suas pinturas: Alberto Agualusa (n.os 1 e 3) e Ana Couceiro (n.os 2 e 4) – muito obrigado.
Não vos vou roubar muito tempo. Porque é o tempo, ou a falta dele, que motiva, parcialmente, este atraso (imensurável) na publicação da revista. O acto de escrita (inclusive o de um artigo científico) é um gesto solitário que implica pesquisa, análise, introspecção, dúvida e concretização. Todo este processo consome tempo, esse bem precioso e diminuto nos dias de hoje. A voragem do tempo A falta de tempo para fazer coisas colide com a falta de tempo até para viver. É do equilíbrio entre o trabalho e o descanso que resulta o avanço científico. É da crítica e discussão de um trabalho que nascem, se consolidam ou se destroem ideias, conceitos ou práticas. É essencial comunicar, partilhar, discutir. E esse é o desafio que lanço: a revista é um espaço de publicação aberto a todos os que se interessam por dor e que têm algo a acrescentar, a debater – aceitem este repto.

Deixo-vos com uns textos cujo denominador comum é o tempo.

«...Uma hora, alojada no bizarro elemento espírito humano, pode valer cinquenta ou cem ve- zes mais que a sua duração medida pelo relógio; em contrapartida, uma hora pode ser fielmente representada como mostrador do espírito por um segundo.»

Virginia Woolf, Orlando

«...Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar preenche todas as tuas horas! Se tomares nas mãos o dia de hoje conseguirás depender menos do dia de amanhã. De adiamento em adiamento, a vida vai-se passando.(...) Por isso mesmo me causa indignação ver como as pessoas gastam o tempo em futilidades a maior parte de uma vida que, mesmo dispendida com a maior parcimónia, não seria bastante para as coisas essenciais.»

Séneca, Cartas a Lucílio

«A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo Quando se vê, já é 6.a feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...»

Mário Quintanas, Seiscentos e Sessenta e Seis.