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Cuidados Paliativos

Editor convidado
Edna Gonçalves

Director da revista
Sílvia Vaz Serra

Editores
Ananda Fernandes
Armanda Gome
Graça Mesquita


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Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - José Romão - 3
  • Editorial - Edna Gonçalves - 4
  • Cuidar em Fim de Vida - Paula Sapeta e Manuel Lopes - 5
  • Metadona no Tratamento da Dor Crónica
por Cancro: Experiência do Serviço de Cuidados Paliativos do Instituto Português de Oncologia
Francisco Gentil – Centro Regional do Porto - Miguel Barbosa e Edna Gonçalves - 15
  • A Importância da Despistagem Precoce dos Factores
de Risco Social nos Cuidados Paliativos - Carla Reigada, Edna Gonçalves e Esperança Silva - 21
  • As Conferências Familiares como Estratégia
de Intervenção e Apoio à
  • Família
em Cuidados Paliativos - Isabel Galriça Neto - 27
  • Apoio no Luto em Cuidados Paliativos - Susana Moutinho - 35
  • Organização de Serviços:
Estimativa de Necessidades para Portugal - Manuel Luís Vila Capelas - 40
  • O que Mudou em um Ano e Meio – Avaliação
da Actividade Assistencial de uma Equipa
Intra-hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos - Filipa Tavares, Amélia Matos, Emília Fradique, Alexandra Coelho, Alexandra Ramos e Patrícia Soares - 45

Editorial - Edna Gonçalves

Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos (CP) visam melhorar a qualidade de vida dos doentes e famílias com doenças que colocam a vida em risco, prevenindo e aliviando o sofrimento através da detecção precoce, avaliação adequada e tratamento rigoroso dos problemas físicos, psicológicos, sociais e espirituais1.

Fazendo uma abordagem holística dos problemas centrada nas necessidades do doente e não no seu diagnóstico, os CP não se dirigem a doenças específicas, mas sim a todos os que sofrem como consequência de doenças graves e progressivas, como por exemplo SIDA, doenças neurológicas degenerativas, demências, doenças de órgão terminais (insuficiência cardíaca, respiratória, hepática, renal) ou cancro. De notar que, uma vez que o sofrimento pode ser intenso em diferentes fases de evolução da doença, os CP podem intervir desde o momento do diagnóstico, em simultâneo com o tratamento dirigido à diminuição ou controlo da doença (ex.: quimio ou imunoterapia), e não apenas nos últimos dias ou semanas de vida. E porque o sofrimento não atinge só o doente mas todos os que com ele convivem de perto, as equipas de CP têm de ter competências para avaliar as necessidades dos cuidadores/familiares dos doentes, apoiando-os de forma estruturada no decurso da doença e posteriormente no luto, como se pretende demonstrar nalguns artigos desta revista.

Como se pode depreender da definição da OMS, os CP vão muito para além do tratamento da dor física, procurando aliviar o sofrimento intenso ou «dor total» (física, psíquica, social e espiritual), que ultrapassam a capacidade de alívio das acções paliativas que todos os profissionais de saúde têm a obrigação de fazer2. Sendo grande a complexidade dos problemas a tratar, é fundamental que os profissionais de CP tenham formação teórica e prática específica, e trabalhem em equipa interdisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistente social, psicólogo e outros profissionais, de acordo com os problemas dos doentes acompanhados por cada equipa.

Internacionalmente reconhecidos como um elemento essencial de saúde pública e um imperativo ético decorrente dos direitos humanos fundamentais, este tipo de cuidados que visa promover a qualidade de vida dos doentes e seus cuidadores, aceitando a naturalidade e inevitabilidade da morte quando a cura não é possível, deve chegar a todos os que deles precisam3,4. Para isso, é necessário implementar uma estratégia pública que disponibilize e garanta CP de qualidade em todos os locais onde há doentes com intenso sofrimento: domicílio (equipas domiciliárias); hospitais de agudos (equipas intra-hospitalares de suporte de CP, unidades de internamento e consulta externa de CP), hospitais/instituições de doentes crónicos, de que são exemplo as unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados integrados e algumas Instituições Privadas de Solidariedade Social (unidades de internamento e equipas de suporte)2,5,6.

Em Portugal, apesar das primeiras unidade de CP terem surgido já na década de 90 (Serviço de Medicina Paliativa do Hospital do Fundão, Serviço de Cuidados Paliativos do IPO-Porto, Equipa de Cuidados Paliativos e Continuados do Centro de Saúde de Odivelas), a expansão deste tipo de cuidados tem sido lenta, existindo 17 equipas referenciadas no site da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP)5 e cerca de 80 camas, no final de 2008. Criada em 1995, a APCP tem procurado dinamizar e credi- bilizar os CP promovendo acções de formação para profissionais de saúde, voluntários e público em geral, e divulgando e criando documentos de natureza científica e organizacional. Em 2011, teremos o privilégio de se realizar em Lisboa o 12th Congress of the European Association of Palliative Care (EAPC), numa organização con- junta desta associação e da APCP5.

Bibliografia

1. Sepúlveda C, Marlin A, Yoshida Tokuo, Ullrich A. Palliative Care: the World Health Organization’s global prespective. Journal of Pain and Symptom Management. 2002;24:91-6.
2. Direcção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Cuidados Paliativos. Circular Normativa n.o 14/DGCG de 13/07/04.
3. International Association for Hospice and Palliative Care (IAHPC). Joint Declaration and Statement of Commitment on Palliative Care and Pain Treatment as Human Rights [Internet]. Houston; c2005-8 [acesso em 2/12/2008]. Disponível em: http://www.hospicecare. com/resources/pain_pallcare_hr/docs/jdsc.pdf
4. Brennan F. Palliative Care as an International Human Right. J Pain Symptom Manage. 2007;33(5):494-9.
5. Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) [Internet] [acesso em 20/12/2008]. Disponível em: http://www.apcp.com.pt/ index.php
6. Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (Decreto-Lei n.o 101/2006). Diário da República n.o 109.

Mensagem do Presidente da APED - José Romão

Este texto foi escrito em Dezembro de 2009 e não na data de capa.

A publicação de um número da revista totalmente dedicado aos cuidados paliativos pretende realçar a sua importância no actual contexto das necessidades dos utentes. Paralelamente visa salientar algumas das suas diferenças e semelhanças com o tratamento da dor crónica. Por vezes os decisores políticos, as administrações hospitalares e mesmo os profissionais da saúde, inadvertida ou intencionalmente, caem no erro de tomar como sobreponíveis aquelas duas áreas de trabalho. Ninguém duvida que pelo menos na atitude assumida perante o utente, ao abordarem-no como entidade biopsicossocial, são claramente áreas aparentadas. Muitos dos que se dedicam ao tratamento da dor crónica, ao confrontarem-se regularmente com a inexistência de uma oferta adequada no âmbito dos cui- dados paliativos, acabam por assumir-se como a alternativa possível. Dada a elevada prevalência da dor na população servida pelos cuidados paliativos, é inevitável a ocorrência de situações de grande complexidade terapêutica e aí as Unidades de Dor podem eventualmente dar um contri- buto precioso. Será portanto desejável o estabelecimento de diálogo activo entre as duas áreas de trabalho, numa perspectiva de complementaridade e sem preconceitos.

Comemorou-se no dia 16 do passado mês de Outubro o Dia Nacional de Luta Contra a Dor, de acordo com a alteração da calendarização aprovada em 2008. Todos os eventos desenvolvidos decorreram em Braga, integrados nas Jornadas de Dor de Braga. Durante a cerimónia de entrega dos prémios dos concursos «Vou Desenhar a Minha Dor» e «Grunenthal/Dor», o Exmo. Sr. Director-Geral da Saúde, Dr. Francisco George, que presidiu à sessão, anunciou para muito breve a prescrição electrónica de opióides fortes. No âmbito das comemorações foram desencadeadas múltiplas acções destinadas à população em geral, nomeadamente: percurso velocipédico pelas ruas da cidade; mostra em galeria de exposições, de trabalhos de artes plásticas alusivos ao tema «Dor», concebidos por múltiplos artistas e com atribuição por júri de prémio ao melhor classificado; exposição no local de realização das sessões científicas, de obra especialmente concebida para o efeito pela ceramista Ana Westerlund, tendo como inspiração a escala de faces para avaliação da dor.

Na semana de 12 a 18 de Outubro decorreu a Semana Europeia Contra a Dor, promovida pela EFIC e dedicada ao tema «Dor e Depressão».
No dia 19 de Outubro teve início o Ano Global dedicado pela IASP à «Dor musculoesquelética».

Lamentavelmente, e mais uma vez, aquelas duas sociedades científicas não se organizaram de modo a adoptarem um tema comum.