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Questionários sobre Dor Crónica

Director
José Manuel Castro Lopes

Editores
Luís Agualusa

José Manuel Castro Lopes
Teresa Vaz Patto
Sílvia Vaz Serra



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Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - José Manuel Castro Lopes - 3
  • Editorial - José Manuel Castro Lopes - 5
  • Tradução, Adaptação Cultural e Estudo Multicêntrico
de Validação de Instrumentos para Rastreio e Avaliação do Impacto da Dor Crónica - Luís Filipe Azevedo, Altamiro Costa Pereira, Cláudia Dias, Luís Agualusa, Laurinda Lemos, José Romão, Teresa Patto, Sílvia Vaz-Serra, Rosário Abrunhosa, Carlos Jorge Carvalho, Maria Carlos Cativo, Duarte Correia, José Correia, Georgina Coucelo, Beatriz Craveiro Lopes, Maria do Céu Loureiro, Beatriz Silva e José M. Castro-Lopes- 6
  • Anexo Versão portuguesa do questionário Brief Pain Inventory (BPI), período de referência última semana - 38
  • Versão portuguesa do questionário West Haven-Yale Multidimensional Pain Inventory (WHY-MPI) - 40
  • Versão portuguesa do questionário Pain Disability Index (PDI) - 47
  • Versão portuguesa do questionário Chronic Pain Coping Inventory (CPCI), versão do doente - 48
  • Versão portuguesa do questionário Chronic Pain Coping Inventory (CPCI), versão da pessoa significativa - 51
  • Versão portuguesa do questionário Pain Beliefs and Perceptions Inventory (PBPI) - 54
  • Versão portuguesa do questionáriPain Catastrophizing Scale (PCS) - 55
  • Versão portuguesa do questionário Douleur Neuropathique en 4 Questions (DN4) – 56

Editorial- Instrumentos para Avaliação da Dor Crónica - José Manuel Castro Lopes

Nesta edição da revista Dor é publicado apenas um artigo, o qual constitui o primeiro resultado concreto de um estudo que está a decorrer a nível nacional sobre a prevalência da dor crónica no nosso país e o seu impacto individual, social e económico.

Quando nos propusemos levar a cabo esse estudo, fomos confrontados com a inexistência de instrumentos validados na língua portuguesa e para a população nacional, que permitissem avaliar de forma mais ou menos objectiva e reprodutível os múltiplos factores que estão associados à dor crónica. Pelas razões expostas no artigo, seleccionaram-se sete questionários que abordam aspectos da dor, diversos mas complementares (Brief Pain Inventory; West Haven-Yale Multidimensional Pain Inventory; Pain Disability Index; Chronic Pain Coping Inventory; Pain Beliefs and Perceptions Inventory; Pain Catastrophizing Scale; Douleur Neuropathique en 4 Ques- tions), os quais foram traduzidos, adaptados e validados de acordo com os métodos rigorosos internacionalmente recomendados. Tratou-se de um trabalho moroso, que incluiu um grande número de doentes das Unidades de Dor Crónica envolvidas no estudo, mas que constituirá seguramente um marco na investigação clínica em dor no nosso país, pois a partir de agora as versões portuguesas validadas estão disponíveis para qualquer investigador que as deseje utilizar. Sabendo que outros investigadores estão actualmente a validadar outros questionários/escalas, será possível no futuro próximo aumentar ainda mais a oferta de instrumentos de trabalho, por forma a cobrir todo o espectro da área da investigação clínica em dor. Assim haja quem os queira utilizar!

A validação dos questionários permitiu ainda avaliar nos doentes envolvidos os parâmetros incluídos em cada questionário. Um estudo preliminar sobre a qualidade de vida dos doentes incluídos no estudo foi já apresentado no 3.o Encontro Nacional das Unidades de Dor e será publicado muito brevemente. Da análise dos resultados obtidos com os diversos questionários poderão surgir resultados adicionais, que permitirão caracterizar melhor a população de doentes que é seguida nas Unidades de Dor Crónica em Portugal.

Mas o objectivo do estudo epidemiológico está muito para além da validação dos instru- mentos ou da avaliação dos doentes que frequentam as Unidades de Dor Crónica. Com base nos questionários, foram já efectuadas cerca de 5.000 entrevistas telefónicas a nível nacional, que permitem estabelecer com grande segurança a prevalência da dor crónica no nosso país, bem como a forma como os doentes lidam com essa dor. Os resultados deste estudo serão divulgados no próximo Dia Nacio- nal de Luta Contra a Dor e publicados em devido tempo.

Last but not least, é importante sublinhar que este estudo epidemiológico é uma ambição antiga, mas que só agora foi possível concretizar, fruto do apoio financeiro concedido através de protocolos estabelecidos entre a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e três empresas da indústria farmacêutica, nomeadamente a Grünenthal, Produtos Farmacêuticos Unipessoal, Lda., a Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda. e os Laboratórios Pfizer, Lda. A parte do estudo que agora se publica, recebeu também o apoio da Associação para o Desenvolvimento e Terapia da Dor através de uma bolsa concedida pelo Fundo Fundação Oriente/Johnson & Johnson para a Saúde. De igual modo, seria muito difícil concretizar a validação dos instrumentos agora publicados sem a colaboração preciosa de muitos elementos das Unidades de Dor envolvidas no estudo, a quem os autores estão profundamente agradecidos.

Mensagem do Presidente da APED - José Romão

Com a publicação deste número, encerra-se um ciclo para a revista Dor. O Professor Castro Lopes, que tem assumido a Direcção da revista durante os últimos anos com a qualidade que lhe é conhecida, está de saída. Pelo trabalho desenvolvido expresso-lhe o nosso agradecimento, bem como ao grupo de editores que o acompanharam.

A próxima edição terá uma nova Directora, a Dr.a Sílvia Vaz Serra. O corpo editorial será também remodelado. À nova equipa desejamos as maiores felicidades.

A Dr.a Sílvia Vaz Serra conhece bem a revista e as dificuldades que a sua edição tem acarretado, uma vez que integrou a equipa de editores cessante. Apesar disso propõe-se enfrentar um desafio significativo, ao propor uma nova política editorial, completamente apoiada pela Direcção da APED. Manter-se-ão os quatro números anuais. Dois manterão o carácter temático que tem sido adoptado. Os restantes serão integralmente preenchidos com artigos originais. A preocupação em manter elevados padrões de qualidade editorial irá obrigar à revisão prévia dos textos por profissionais com reconhecido conhecimento na matéria em análise.

Os profissionais da saúde portugueses, salvo honrosas excepções, não têm o hábito de inves- tigar e publicar. Para isso concorrem seguramente múltiplas razões. A sua análise está no entanto fora do âmbito deste escrito.
Os portugueses têm o mau hábito – mea culpa – de arrastar a concretização dos seus actos para além do final dos prazos concedidos. Veja- se o atraso na publicação da revista, totalmente atribuível aos atrasos dos autores.
A adopção pelos diversos Colégios de Especialidade da Ordem dos Médicos de «grelhas» de classificação estandardizadas, ve revalorizar a realização e publicação de trabalhos durante os internatos. Também se assiste uma crescente preocupação em publicar por parte dos Enfermeiros.

Este número faz história, uma vez que traz ao conhecimento de toda a comunidade científica um conjunto de instrumentos validados para a língua e cultura portuguesas, que vão permitir a execução de investigação clínica com qualidade na área da dor.

Pelas razões invocadas, a adopção do novo formato não vai ser fácil, mas acreditamos que a conjuntura é favorável. Resta-nos então aguardar o envio dos vossos trabalhos. Mãos à obra.