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Director
José Manuel Castro Lopes

Editores
Luís Agualusa

José Manuel Castro Lopes
Teresa Vaz Patto
Sílvia Vaz Serra


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Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - José Romão - 3
  • Editorial - José Manuel Castro Lopes - 4
  • Acreditação das Unidades de Dor - Maria Alice Cardoso - 6
  • Dor Crónica Musculoesquelética III Encontro Nacional Clínicas de Dor - Duarte Correia - 11
  • Recomendações para a Utilização dos Medicamentos Opióides Fortes na Dor Crónica Não-oncológica - 16
  • Lombalgias: a Realidade da Nossa Unidade de Tratamento de Dor - Sara Arantes, Carmélia Ferreira, Sónia Lobo, Rita Moutinho, Jorge Correia, Carlos Jorge Carvalho e Ana Marcos - 22
  • Epiduroscopia, Essa Desconhecida no Tratamento da Dor - José Carlos Cordeiro da Silva e María Mercedes Marzoa Pumar - 28
  • Ano da Dor na Mulher - Kateˇrina Rubáoˇková - 31

Editorial - José Manuel Castro Lopes

Mais um número da revista Dor que sai com um atraso substancial! Devo reconhecer que é muito difícil manter uma publicação regular com as características e a frequência da Dor, num país em que não existe uma tradição de publicação e em que o universo dos potenciais interessados é, aparentemente, pequeno. De facto, se a memória não me falha, nestes três anos em que a revista esteve sob a minha responsabilidade foram recebidos apenas cinco(!) artigos para publicação, três dos quais estão publicados na presente edição. Apercebendose desta realidade, o meu antecessor, Dr. José Manuel Caseiro, lançou em boa hora o modelo dos números monotemáticos em que, a partir de um editor convidado, eram solicitados a vários especialistas artigos sob um tema comum. Mas, mesmo assim, não é fácil motivar as pessoas para escrever e os atrasos sucederam-se, penalizando os leitores, patrocinadores e aqueles autores (poucos mas bons) que entregaram as suas contribuições dentro do prazo a que se comprometeram. Individualmente, cada autor tem inúmeras e muito válidas razões para justificar o atraso, mas o colectivo acaba por ultrapassar largamente a soma das partes. Numa altura em que estou prestes a abandonar a responsabilidade da revista (o próximo número está praticamente pronto), quero penitenciar-me mais uma vez por não ter sido capaz de atingir os objectivos a que me tinha proposto.

O presente número inclui dois artigos sobre dois dos workshops que tiveram lugar durante o 3.o Encontro Nacional das Unidades de Dor. Apesar do atraso com que são publicados, mantêm toda a sua actualidade. A acreditação das Unidades de Dor, que passa necesariamente pela avaliação da sua qualidade, terá que ser realizada mais cedo ou mais tarde. Os responsáveis das Unidades têm no artigo de Maria Alice Cardoso excelentes pistas para, se assim o entenderem, se anteciparem e iniciarem um processo de auto-avaliação que conduza a uma melhoria contínua da qualidade.

A dor musculoesquelética representa um peso enorme nos cuidados de saúde, a todos os níveis, e na sociedade em geral, bem expresso no artigo de Duarte Correia. O texto faz referência também a algumas das estratégias destinadas a reduzir aquele peso, bem como aos obstáculos que existem à implementação dessas estratégias.

Relacionado com o tema anterior, são publicadas nesta edição da revista as «Recomendações para a Utilização de Medicamentos Opióides Fortes na Dor Crónica Não-Oncológica». Estas recomendações foram elaboradas por um conjunto de peritos convidados pela APED, por sugestão da Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional de Luta Contra a Dor (CAPNLCD). Embora a elaboração de recomendações e/ou normas de boa prática fosse um dos objectivos da anterior direcção da APED, a iniciativa de elaborar estas recomendações em concreto foi desencadeada numa reunião com o Infarmed em que se discutiram as propostas de alteração da comparticipação dos medicamentos opióides recentemente aprovadas. Pretendeu-se, a partir de normas internacionais publicadas nos últimos anos, elaborar um documento consensual que estabelecesse os princípios gerais de utilização daqueles me- dicamentos na dor não-oncológica, que fosse acessível a qualquer médico. Por isso, a CAPNLCD solicitou a sua publicação pela Direcção-Geral da Saúde sob a forma de circular informativa, o que veio a acontecer recentemente. Como qualquer documento desta natureza, são múltiplas as leituras/interpretações possíveis e, infelizmente, alguma imprensa generalista apressou-se a fazer uma interpretação errada, ao depreender que as recomendações se destinavam a dificultar a utilização dos medica- mentos opióides (ver Correio da Manhã de 27 de Março).

O artigo de Sara Arantes e colaboradores está de certa forma relacionado com os anteriores, ao descrever retrospectivamente os doentes com lombalgias que foram tratados na Unidade de Dor do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, bem como o tratamento a que foram sujeitos e o respectivo resultado. Saliente-se que estes doentes representam apenas pouco menos de 10% do total dos doentes observados naquela Unidade de Dor. Sabendo-se que as lombalgias são a patologia dolorosa crónica mais prevalente nas sociedades desenvolvidas, aquele número vem reforçar a ideia de que a esmagadora maioria destes doentes não é, nem poderia ou deveria ser, observada em Unidades de Dor. O presumível impacto socioeconómico das lombalgias (ainda por avaliar no nosso país) recomenda o reforço das actividades de formação destinadas a médicos de família e outros especialistas.
O artigo de José Carlos Cordeiro da Silva e Maria Mercedes Marzoa Pumar descreve uma técnica que poderá estar indicada no diagnóstico e terapêutica de algumas lombalgias, quando estas se acompanham de radiculopatia ou após cirurgia da coluna. Trata-se de uma técnicarecente e ainda pouco utilizada, mas com algum potencial de evolução futura.

Finalmente, Katerina Rubáoková faz uma pequena síntese de alguns dos temas em discussão no Ano Internacional da Dor na Mulher, uma iniciativa da International Association for the Study of Pain (IASP), que pretende chamar a atenção para esta questão particular.

Mensagem do Presidente da APED - José Romão

Apesar de as eleições para os corpos sociais da APED terem decorrido há quase um ano, o atraso na publicação da revista motiva que só agora esteja a escrever a minha primeira mensagem.

Embora o número de sócios participantes na Assembleia Eleitoral tenha sido relativamente pequeno, como é usual, o apoio expresso em votos demonstrado à equipa que tenho o gosto de liderar, enche-nos de orgulho mas simultaneamente reforça a responsabilidade assumida.

Quando decidimos candidatar-nos, não nos moveram a ânsia de protagonismo ou o desejo de ligar os nossos nomes à história da APED, mas tão somente o sentido do dever e imperativos de natureza ética, conforme afirmámos no manifesto eleitoral então publicitado.

Recordo os nossos objectivos principais, enunciados no referido manifesto:

  • Pugnar pela aprovação da proposta de «Programa Nacional para o Controlo da Dor» e promover activamente a sua implementação.
    1. Intensificar a divulgação da APED e dos seus objectivos junto de profissionais com potencial afinidade para o diagnóstico e/ou tratamento da dor. Destacamos alguns gru- pos que tradicionalmente não têm estado próximos da associação: clínicos gerais/ médicos de família, psicólogos e farmacêuticos.
    2. Manter e desenvolver parcerias com outras entidades nacionais e internacionais que resultem em sinergias para o desenvolvimento de boas práticas no controlo da dor.
    3. Definir critérios de qualidade a implementar nas estruturas que se dedicam ao tratamento da dor.
  • Concretizar aplicação informática para registos clínicos uniformizados nas Unidades de Dor.
  • Reforçar os esforços desenvolvidos na divulgação desta temática junto da sociedade civil.
  • Envidar esforços para garantir a todos os doentes acesso aos opióides (facilitar pres- crição, aumento da comparticipação).
  • Sensibilizar as escolas médicas e de enfermagem para a necessidade de melhorar a formação prgraduada em dor.
  • Colaborar na definição dos standards de formação desejáveis para os profissionais que se dedicam ao tratamento da dor.
  • Desenvolver e apoiar acções de formação dirigidas aos diferentes grupos de profissionais.
  • Fomentar e apoiar a investigação científica, nomeadamente através da aproximação dos clínicos aos investigadores em ciências básicas.
  • Temos plena consciência da ambição dos nossos objectivos. Porém, estamos certos que as vossas críticas, sugestões e ajuda contribuirão decisivamente para a sua concretização.

Não posso deixar passar a oportunidade de saudar e agradecer aos colegas que agora cessam funções nos corpos gerentes da associação. Porque sou também um deles e por temperamento, inibo-me de tecer rasgados elogios. No entanto, não posso deixar de salientar o quão activa a APED foi nos últimos anos e as consequências que daí advieram para o tratamento da dor em Portugal. Para isso foi determinante o papel do Prof. Castro Lopes.

Embora sendo um «cientista básico», assumiu os anseios dos profissionais que se dedicam à actividade assistencial na área da dor e catalizou um vasto conjunto de acções que seguramente deixarão memória.