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TÉCNICAS INVASIVAS

Editor convidado
Duarte Correira
- Unidade de Terapêutica de Dor, Hospital Central do Funchal, Madeira, Portugal

Director
José Manuel Castro Lopes

Editores
Luís Agualusa

José Manuel Castro Lopes
Teresa Vaz Pato
Sílvia Vaz Serra

Donwload PDF da revista

Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - 3
  • Editorial - 4
  • Neurocirurgia da Dor - 5
  •  Ozonoterapia e Dor Discogénica – 9
  • O Tratamento da Dor por Radiofrequência – 13
  • Radiofrequência – «Novas Indicações» - 20
  • A Neuromodulação Medular – 21
  • Angor e Neuroestimulação Medular – 24
  • Estimulação Cerebral Profunda - 27
  • Bombas Infusoras Implantáveis – 31
  • Terapêutica Subaracnoideia – 37

Editorial - Duarte Correia

Apesar de alguns atrasos de natureza pessoal e imprevisíveis, é com profunda satisfação que este número da revista DOR dedicado às técnicas invasivas é distribuído aos seus leitores, razão de ser e essência desta revista.

Tentamos neste número abranger, de acordo com os condicionalismos e as restrições de espaço e tempo existentes, os tratamentos invasivos porventura «mais diferenciados» ou tecnicamente mais sofisticados efectuados nas Unidades de Dor Portuguesas, transmitindo as experiências e vivências de diferentes autores, desejando poder de alguma forma contribuir e incentivar que, num futuro próximo, um maior número de colegas e Unidades de Dor executem estas técnicas, ou outras, que necessariamente surgirão, produto de um evoluir contínuo do conhecimento científico.

Aos autores que possibilitaram este número da revista Dor, o meu agradecimento pessoal e o meu sincero reconhecimento pelo notável trabalho que diariamente efectuam nos Serviços que integram, aliviando e tratando a dor.

Mensagem do Presidente da APED - José Manuel Castro Lopes

Celebrou-se no passado dia 14 de Junho mais um Dia Nacional de Luta Contra a Dor. A APED assinalou esta data através de duas iniciativas com objectivos distintos.

No próprio dia 14, foi assinado um protocolo entre a APED e a Ordem dos Enfermeiros que visa a colaboração na realização de acções de formação pós-graduada no âmbito da dor. Consciente da importância fundamental dos profissionais de enfermagem na aplicação da norma da Direcção Geral de Saúde que equipara a dor a 5.o sinal vital, e do aparente baixo nível de implementação desta norma, um dos principais objectivos destas acções será a sensibilização e formação dos enfermeiros na avaliação da dor. A APED criou, através da Enf.a Ananda Fernandes, um modelo de «mini-curso» a realizar nos hospitais, e é particularmente importante o pa- pel da Ordem dos Enfermeiros na promoção e divulgação desta iniciativa junto dos seus membros. Saliente-se que a Fundação Oriente/Johnson & Johnson para a Saúde concedeu um financiamento para a realização destas acções, no âmbito de um concurso para apoio de projectos na área da dor.

Estas acções são tão mais importantes quanto é sabido que o tratamento da dor a nível hospitalar, e da dor aguda pós-operatória em particular, não tem recebido a atenção que é indispensável para a melhoria da prestação de cuidados de saúde e para a humanização dos hospitais. O inquérito levado a cabo pela Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional de Luta Contra a Dor veio demonstrar que o número de hospitais com Unidades de Dor-Aguda Pós-Operatória (UDA) diminuiu em relação a 1999, enquanto o número de Unidades de Dor Crónica aumentou significativamente (mais de 40%). É difícil encontrar as razões para este retrocesso, sobretudo quando comparado com a evolução positiva das Unidades de Dor Crónica. De facto, enquanto estas implicam a criação de estruturas físicas e equipas multidisciplina- res, as UDA são, tal como está consignado no Plano Nacional de Luta Contra a Dor, unidades funcionais que promovem programas de actuação organizada e protocolizada em analgesia pós-operatória, que devem incluir todos os profissionais de saúde envolvidos nos cuidados peri-operatórios, nomeadamente anestesistas, cirurgiões e enfermeiros. Por outro lado, esperava-se que a aplicação da norma da Direcção Geral de Saúde que equipara a dor a 5.o sinal vital viesse a revelar a necessidade de serem criadas UDA que permitissem um melhor controlo da dor pós-operatória, pois é inegável que os maiores avanços no controlo deste tipo de dor estão associados à existência daquelas unidades. A falta de informação e motivação dos profissionais de saúde para o dever de tratarem a dor iatrogénica resultante dos procedimentos cirúrgicos, a falta de consciencialização dos do- entes para o direito que lhes assiste de serem tratados dessa dor, ambas consubstanciadas num baixo índice de aplicação da norma referida, poderão ser as causas principais da aparente evolução negativa. Será necessário promover mais campanhas de sensibilização da população em geral, alertando para a inutilidade e ini- quidade da dor aguda pós-operatória, e, simultaneamente, os profissionais de saúde e gestores hospitalares deverão ser informados da obrigatoriedade da avaliação e registo regular da intensidade da dor, e das múltiplas vantagens das UDA no apoio aos doentes submetidos a intervenções cirúrgicas.

A outra iniciativa da APED que marcou as comemorações do Dia Nacional de Luta Contra a Dor foi a realização do 2.o Encontro Nacional das Unidades de Dor, sob a presidência da Dr.a Beatriz Craveiro Lopes e com o apoio exclusivo da Grünenthal. Foi uma reunião muito participada, organizada segundo um modelo de workshops temáticos que proporcionaram uma discussão viva sobre cinco temas:

– Barreiras à prescrição de opióides.
– Competência em Medicina da Dor.
– Terapêuticas invasivas nas Unidades de Dor.
– Optimização da terapêutica com opióides. – Registo clínico nas Unidades de Dor.
As principais conclusões dos workshops foram depois debatidas e votadas em sessão plenária, tendo sido grato verificar não só o empenho dos participantes na discussão e votação
das conclusões, como também o consenso que
se estabeleceu na maioria dos casos. Ficou a vontade de dar continuidade a alguns dos workshops, através da criação de grupos de trabalho com a finalidade de elaborarem documentos consensuais que sirvam de normas ou guidelines, tendo como base o trabalho efectuado nos workshops. Por outro lado, o sucesso
da reunião levou a que a APED e a Grünenthal
se comprometessem desde já a realizar a 3.a
edição no próximo ano.