Login

CEFALEIAS PRIMÁRIAS: CONCEITOS ACTUAIS

Editor convidado
José M. Pereira Monteiro

Director
José Manuel Castro Lopes

Editores
Luís Agualusa
José Manuel Castro Lopes
Teresa Vaz Pato
Sílvia Vaz Serra

Donwload PDF da revista

Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - 3
  • Editorial
  • Cefaleias - 5
  • Cefaleias
    • Introdução - 6
    • Epidemiologia 8
  • Enxanqueca
    • Fisiopatogenia - 12
    • Genética - 14
    • Clínica e Diagnóstico - 17
    • Tratamento - 22
  • Cefaleias tipo tensão
    • Fisiopatogenia – 25
    • Diagnóstico – 27
    • Tratamento - 30
  • Cefaleias trigémino-autonómicas
    • Fisiopatogenia - 33
    • Clínica e Diagnóstico - 36
    • Tratamento - 39
  • Outras cefaleias
    • Outras Cefaleias Primárias – 43

Editorial - Cefaleias - José M. Pereira Monteiro

Foi com evidente agrado que recebi o amável convite do Prof. José Manuel Castro Lopes para coordenar a edição de um número da Revista Dor sobre cefaleias, um tema que me é muito grato por ter sido objecto da minha particular atenção nos últimos 22 anos. Mas, o agrado rapidamente se transformou em preocupação, porque não é fácil abordar um tema tão vasto como este de forma cientificamente correcta, incluir todos os avanços tecnológicos recentes, e simultaneamente torná-lo atraente, isto é, acessível, de fácil leitura e compreensão, e ainda com uma dimensão que não seja imediatamente assustadora. Ora, tal objectivo seria seguramente inatingível se quisesse ser exaustivo. Daí a ter chegado à conclusão, após alguma reflexão, que este tema só poderia ser abordado com eficácia se fosse limitado, foi um passo. Assim, foi necessário escolher o que seria importante transmitir a médicos experientes, com largos conhecimentos científicos sobre as diversas patologias dolorosas, mas não tão detalhadamente sobre uma forma particular de dor, a dor de cabeça. Pereceu-me, pois, mais importante transmitir os avanços recentes no diagnóstico, na fisiopatogenia (com destaque para a imagiologia e genética) e na terapêutica das cefaleias primárias por serem as áreas de maior avanço científico e tecnológico. Ficaram assim excluídas todas as cefaleias secundárias, que pela sua diversidade e dimensão tornariam este trabalho ciclópico, enfadonho e seguramente pouco eficaz. Com este objectivo, solicitei a colaboração de vários co- legas que comigo têm partilhado um interesse particular por este tipo de patologia e que protamente aderiram a este projecto. O resultado final é o conteúdo deste número da Revista Dor que, espero vivamente, possa ser útil aos seus leitores e sobretudo aos doentes que no futuro irão receber destes os melhores conselhos e recomendações.

Mensagem do Presidente da APED - José Manuel Castro Lopes

Graças à colaboração de Armanda Passos1, uma das mais notáveis artistas plásticas dos nossos dias, a DOR alterou o seu visual a partir deste primeiro número de 2005. De agora em diante, existe mais uma razão para coleccionar a revista, pois todas as capas serão ilustrados com a reprodução de um trabalho da artista, a quem, em nome da APED, endereço publicamente o profundo agradecimento que já tive ocasião de apresentar pessoalmente. No entanto, esta alteração não significa qualquer modifi- cação da política editorial da revista, em boa hora iniciada pelo seu anterior Director Executivo, Dr. José Manuel Caseiro. Os condicionalismos actuais e a boa aceitação por parte dos leitores aconselham a que o modelo dos números monotemáticos (ou relacionados com um tópico comum) seja mantido, e o presente número é um excelente exemplo de como é possível e vantajoso fazer uma revisão aprofundada, exaustiva e de grande qualidade sobre um tópico tão importante como as cefaleias.

Mas as boas notícias não se ficam pela capa da revista. Decorreu no início de Maio a reunião do Conselho da EFIC destinada, entre outros assuntos, a votar o local de realização do congresso de 2009 e a eleger o novo conselho executivo da EFIC. Conforme é do conhecimento geral, a APED encontrava-se particularmente empenhada nas duas votações, pois tinha proposto Lisboa como local de realização do congresso, e o seu presidente para o cargo de presidente-eleito da EFIC. Para além de Lisboa, concorriam também Atenas, Berlim, Oslo, e Roma, mas razões várias, a que não são alheias a força relativa das diversas candidaturas, levaram a que apenas Lisboa e Atenas fossem a votos, tendo a nossa capital recebido 16 votos contra 11 da capital Grega. Assim, o Centro de Congressos de Lisboa receberá, em Setembro de 2009, os maiores especialistas mundiais no âmbito da dor, proporcionando uma oportunidade ímpar a todos os profissionais portugueses que se dedicam a esta área.

Já no que diz respeito à eleição para o conselho executivo, o Prof. Giustino Varassi, conselheiro da EFIC desde a sua fundação, obteve mais um voto que o presidente da APED, numa eleição muito disputada mas infelizmente com alguns atropelos de princípios éticos e morais que deixaram marcas negativas numa federação que se pretende seja muito mais do que um grupo de amigos (tal como referi na altura, a Federation is not a «Frienderation»). Para cada um dos restantes cargos do conselho executivo, secretário e tesoureiro, existia apenas um candidato, a Dra. Beverly Collet e o Prof. Hans Kress, respectivamente.

Ainda a nível Europeu, decorreu muito recentemente no Ministério da Saúde Francês em Paris uma reunião organizada pela Direcção Geral de Saúde francesa, em colaboração com a sua congénere portuguesa (através da Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional de Luta Contra a Dor), no âmbito de um projecto de colaboração entre as duas Direcções Gerais, que visa comparar os programas nacionais de luta contra a dor dos dois países e identificar outros países que possuam iniciativas legislativas similares, de forma a criar uma rede europeia de troca de informação e experiências com o intuito de promover, a nível governamental, medidas que facilitem e promovam o combate à dor na União Europeia. Estiveram representados 31 países (24 dos 25 membros da União Europeia), 15 dos quais através de representantes governamentais. Foi muito gratificante sentir o apreço dos nossos parceiros europeus pelas iniciativas que têm vindo a ser levadas a cabo em Portugal com o apoio da APED, nomeadamente o Dia Nacional de Luta Contra a Dor, o Plano Nacional de Luta Contra a Dor, a norma que equipara a Dor a 5.o sinal vital e a Competência em Medicina da Dor. Claro que sabemos, e não escondemos, que o Plano ainda não está completamente implementado (nem tinha que estar, pois tem como limite temporal 2007), a norma não é cumprida em muitas (a maioria?) Unidades de Saúde, e a Competência ainda não está regulamentada, mas o simples facto de se terem conseguido aprovar estas medidas representa um avanço enorme do nosso país em relação a muitos outros países europeus. A este propósito gostaria de salientar que em França, onde já decorre o segundo Plano Nacional Contra a Dor, existem actualmente cerca de 170 Unidades de Dor para aproximadamente 60 milhões de habitantes, enquanto em Portugal temos pouco menos de um terço daquele número (53) para uma população que é seis vezes inferior, ou seja, o nosso rácio Unidades de Dor por habitante é quase o dobro do francês. Mais uma vez, a realidade dos números não significa que a situação no nosso país seja melhor que em França, pois tal como mencionei na ocasião, o grau de diferenciação da maioria das nossas Unidades é ainda claramente insuficiente.

Uma outra iniciativa europeia foi recentemente tornada pública. Trata-se de um documento designado por The White Paper on Opioids and Pain: A Pan-European Challenge (disponível em www.openmindsonline.org), que foi apresentado aos membros do Parlamento Europeu por um grupo de peritos que analisou as leis e regula- mentos existentes em 17 países europeus, incluindo Portugal, referentes à prescrição de opióides para o tratamento da dor. Para além daqueles aspectos, o documento menciona também as barreiras culturais e económicas que impedem o uso apropriado dos opióides, e chama a atenção para a necessidade de existir um equilíbrio entre o controlo adequado da utilização dos opióides para fins ilegítimos e a sua disponibilidade para o tratamento da dor sempre que justificável. O documento termina pedindo aos governos dos países europeus que revejam as respectivas legislações neste âmbito, utilizando as normas enunciadas pela Organização Mundial de Saúde a este respeito, e que promovam acções visando acabar com o estigma negativo associado à utilização de opióides.

Para terminar este texto marcadamente europeu, numa altura em que tanto se discute o futuro da Europa, queria chamar a atenção para as eleições para os órgãos da International Association for the Study of Pain (IASP). Os boletins de voto já foram enviados a todos os membros e deverão ser recebidos no secretariado da IASP até 14 de Agosto. Chegou ao meu conhecimento que alguns presidentes de diversos capítulos da IASP estarão a receber pressões para aconselharem o voto num candidato. Jamais participaria em qualquer campanha semelhante, pelo que o meu apelo vai exclusiva- mente no sentido da participação democrática de todos.

PS: Um conjunto inesperado de múltiplas circunstâncias infelizes de diversa índole levou a que o presente número da revista fosse publicado com um atraso significativo relativamente ao planeado. Aos leitores, autores e patrocinadores apresentamos as nossas desculpas, assegurando que iremos promover todos os esforços para que esta situação não se repita.