Login

ABORDAGEM AO TRATAMENTO DA DOR NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

Director
José Manuel Castro Lopes

Director Executivo
José Manuel Caseiro

Acessora de Direcção
Ana Regalado

Conselho Científico
António Coimbra
António Palha
Aquiles Gonçalo
Armando Brito e Sá
Cardoso da Silva
Daniel Serrão
(Pe) Feytor Pinto
Gonçalves Ferreira
Helder Camelo
João Duarte
Jorge Tavares
José Luis Portela
José Manuel Castro Lopes
Maia Miguel
Martins da Cunha
Nestor Rodrigues
Robert Martins
Walter Oswald
Zeferino Bastos

Donwload PDF da revista

Súmario

  • Editorial - J.M. Caseiro - 3
  • Mensagem do Presidente da APED - J.M. Castro Lopes - 4
  • Editorial II - 5
  • Abordagem ao Tratamento da Dor na Região Autónoma dos Açores - M.T. Flor de Lima - 5
  • Educação Médica Contínua - M.T. Flor de Lima - 7
  • Tratamento da Dor na Ilha Terceira - M.L. Gomes - 8
  • Tratamento da Dor no Hospital da Horta - M.C. Nascimento - 8
  • A Neurocirurgia e a Terapêutica da Dor - A. Cordeiro Abrantes - 9
  • O Uso da Toxina Botulínica - A. Raposo - 10
  • Consumo de Opióides - I. França, M.T. Flor de Lima - 11
  • A Dimensão Espiritual em Cuidados Paliativos - P. Duarte Melo - 13
  • Implicações Éticas no Tratamento da Dor - L. Oliveira Andrade - 14
  • Qualidade de Vida, no Morrer... - L. Oliveira Andrade - 16
  • Dor Aguda Pós-operatória: a Importância das Unidades de Dor Aguda - M. Guinot - 19
  • Os Inibidores Específicos da COX-2 e a Problemática da Dor no Pós-operatório - T. Arruda Eloi, F. Melo Bento, M.T. Flor de Lima, V. Santos - 22
  • Analgesia Controlada pelo Doente (PCA) na Prática Clínica: o que os Enfermeiros Devem Saber - R. Pacheco, F. Melo Bento, M.T. Flor de Lima - 25
  • Cuidados Continuados de Saúde – Interligação entre os Profissionais - I. Silva Melo - 29
  • Projecto de Articulação entre os Cuidados de Enfermagem do Serviço de Medicina 3 do HDES e do Centro de Saúde de Ponta Delgada - A.J. Correia da Cruz, Z.F. Lima Martins - 32
  • Síndrome da Dor Regional Complexa – Que Abordagem? - E. Cortêz Ordeña Neto, A. Raposo - 36
  • Ombro Doloroso em Doente em Hemodiálise Crónica (Dialysis Shoulder) - E. Cortêz Ordeña Neto, A. Raposo - 38
  • A poesia com a dor - M.T. Flor de Lima - 40
  • A dor na poesia - J. Martins Tomé - 40

Editorial - Vamo-nos vendo! - José Manuel Caseiro

Foram 4 anos alucinantes. Quando, exactamente 16 exemplares atrás, aceitei, honrado, a incumbência da direcção executiva da Revista DOR, fi-lo na expectativa de a tornar um instrumento de utilidade indispensável para a APED, tanto do ponto de vista da qualidade científica, como da possibilidade de informação interna aos sócios, como até da autonomia financeira que permitisse a sua sobrevivência sem qualquer prejuízo para a tesouraria da Associação.

Necessariamente, os aspectos económicos tinham que ser garantidos de início e houve que partir para uma modalidade de parceria estratégica com os aliados de sempre – a indústria farmacêutica – tantas vezes atacados pela sua influência comercial, mas sempre eles a apoiar as iniciativas científicas de quem não pode aspirar a outro tipo de apoios.

Não posso deixar de referir aqui algo que, porventura muitos desconhecem: só foi possível a APED patrocinar o 1º Dia Nacional de Luta Contra a Dor, em 1999, pela desinteressada generosidade da Bristol-Myers Squibb, que, sem ter incluído um único logótipo ou feito qualquer menção ao laboratório, tudo suportou incognitamente em nosso nome: cartazes, produção do logótipo da APED, organização e almoço do dia comemorativo, convites, etc. Nunca ouvi até hoje, da BMS, uma única referência, pública ou privada, a esse facto, para tirarem vantagem de qualquer tipo de negociação. São e continuarão a ser parceiros iguais aos outros. Eu, em hora de cessação de funções, não poderia deixar cair em esquecimento esse facto.

Essa parceria estratégica, de que fez parte integrante a única editora que a nossa revista conheceu até hoje, a Permanyer Portugal, permitiu delinear as bases de um entendimento que garantia independência, autonomia e instrumentos à APED para a produção de uma revista trimestral com tiragem de 1.000 exemplares, que continuava a ser distribuída gratuitamente a todos os sócios e, também, de forma aleatória, a muitos outros médicos e instituições.

A necessidade, em jeito de boletim, de garantir informações sobre a vida da Associação, das iniciativas da sua Direcção ou tão-somente a divulgação de aspectos que deveríam ser do conhecimento de todos, gerou a atribuição de uma página ao nosso presidente, que é, de resto, por inerência do seu cargo, o director da revista, para que toda a matéria informativa fosse originada ao mais alto nível.

Finalmente, havia a resolver a questão do conteúdo científico. Com a experiência que já trazía da coordenação e/ou direcção de outros projectos editoriais, sabía que era extremamente complicado angariar artigos em número e qualidade suficiente que permitissem fazer uma revista exclusivamente composta por artigos de autor originais.

Assumi, então, a organização de volumes monotemáticos, em torno das mais variadas questões que pudessem interessar os associados de uma organização que tem como objectivo o estudo da dor. Nasceu, nesse momento, “esta revista”.

O que até aqui se passou dava, no mínimo, para mais um volume temático. Quem me conhece, sabe bem da ligação directa que o meu cérebro, a minha alma e o meu coração têm à minha boca e à minha mão que escreve. Esse imaginário volume, se fosse feito, incluiria, seguramente, emoções, agradecimentos, acusações, manifestações de princípio e de culpa, justificações, reflexões, etc. Enfim, uma estupada!

Daí, a preocupação de não fazer deste editorial uma maçada igual. Daí, a vontade de me limitar a pedir desculpa aos que esperavam mais, deixando-lhes a promessa que, com a confiança que me merecem os que me vão substituir, a revista melhorará.

No entanto, sería incorrecto da minha parte não agradecer as inesquecíveis colaborações que tive, personalizando nalguns, que não posso deixar de citar, os imensos apoios que senti: Aos dois presidentes da APED com quem trabalhei, agora meus Amigos, Dr. Nestor Rodrigues e Prof. Dr. José Manuel Castro Lopes, pela confiança manifestada e por sempre terem tentado obter, para a Associação e para a Revista, o reconhecimento e prestígio – nacional e internacional – que ambos detêm.

Aos editores convidados que fui aliciando a colaborar connosco e aos quais se deve a qualidade científica que a Revista DOR conseguiu manter.

Ao responsável pela edição, Sr. Ricardo Permanyer, que me mostrou como é fácil trabalhar com ele e que ficou a saber como é complicado trabalhar comigo.

Permitam-me ainda que, em relação à Permanyer, invoque nesta hora a memória da Sra. D. Amélia Bouça e agradeça publicamente a alguém que provavelmente apenas eu conheço, por residir em Barcelona, mas que sempre foi o grande obreiro do grafismo da revista – o Sr. Nuno Soares.

Aos parceiros estratégicos que patrocinam a revista DOR (e continuarão a patrocinar – assim o desejo e transformo esta vontade num pedido público). A saber: Janssen Cilag, Bristol-Myers Squibb, Pfizer, Astra Zeneca, Grünenthal-Eurolabor e B. Braun.

A todos os que me souberam dar o ânimo que, nalguns momentos, precisei, mas também aos que me tentaram desmoralizar pois apenas conseguiram que eu levantasse a cabeça.

Deixo apenas dois alertas: o primeiro, para a necessidade de, os clínicos que se dedicam à dor, publicar mais (será garantidamente mais importante que se preocuparem em obter a competência em Dor pela Ordem dos Médicos); o segundo, para chamar a atenção de todos os que têm sabido crescer nas Unidades de Dor entretanto nascidas, que o apoio que APED lhes tem prestado, nomeadamente com o Plano Nacional de Luta Contra a Dor, merece ser retribuído com maior disponibilidade para as tarefas que cabem à Associação.

Não podem ser sempre os mesmos a fazer tudo. Recuso despedir-me. Não me passa sequer pela cabeça não continuar a colaborar com a revista e, quanto à APED, a minha família profissional, continuarei a fazer parte integrante.

Por isso, vamo-nos vendo!

Mensagem do Presidente da APED - José Manuel Castro Lopes

É já no próximo dia 11 de Outubro que se assinala o Global Day Against Pain, aquele que pode ser considerado o 1º dia mundial contra a dor. Trata-se de uma iniciativa conjunta da International Association for the Study of Pain (IASP) e da European Federation of IASP Chapters (EFIC), com o apoio da Organização Mundial de Saúde, que terá como mote “A shared commitment between IASP and EFIC towards the relief of pain as a human right”.

O evento central deste dia será uma sessão televisionada e emitida ao vivo através da Internet a partir de Genebra, na qual diversos especialistas internacionais serão entrevistados sobre temas genéricos como a dor como doença epidémica, as últimas inovações no tratamento da dor, o impacto da dor na qualidade de vida das pessoas, etc.

Este dia assinala também o início da Semana Europeia Contra a Dor, que em Portugal ficará marcada pela realização, de 14 a 16 de Outubro, do 2º Congresso APED-CAR. Do aliciante programa científico, gostaria de salientar a vinda de alguns convidados da APED de renome internacional, sem querer de forma alguma menorizar os palestrantes nacionais, mas seria impossível mencionar aqui todo o programa do congresso.

Assim, teremos no dia 15 o Dr. Stuart Derbyshire, da Universidade de Pittsburgh, que irá falar sobre “Imaging the brain in pain”, e logo a seguir o Prof. Chris Main, de Manchester, abordará o tema “Pain management programmes”. Trata-se de dois tópicos importantes em que estamos muito atrasados, pois tanto quanto é do meu conhecimento nada se faz neste âmbito em Portugal. No dia seguinte haverá duas sessões com convidados estrangeiros de maior aplicabilidade prática. Na primeira, o Prof. Per Hanssen, de Estocolmo, falará sobre a fibromialgia, um tópico que continua actual e controverso, sob a perspectiva de um neurologista que se dedica ao estudo e tratamento da dor: “Fybromialgia, the view of a neurologist”.

Ainda na mesma sessão, o Dr. José de Andrés, de Valencia, “complementará” o tema com uma comunicação sobre “Myofascial pain syndrome and low back pain”. Por fim, numa sessão dedicada à terapêutica farmacológica da dor o Prof. Guy Simonnet, de Bordéus, abordará o tema “Opioid-induce hyperalgesia” e a Prof.ª Eija Kalso, de Helsínquia, falará sobre “Opioids in non-cancer pain”. Penso que estão assim reunidas as condições para assistirmos a um congresso de elevada qualidade científica, em que os participantes darão por bem empregue o tempo que irão dispender na Casa do Artista em Lisboa. Saliento ainda que durante a cerimónia de abertura do congresso, no dia 14 pelas 14.30 h, terá lugar uma pequena cerimónia em que será atribuída ao Dr. Nestor Rodrigues a qualidade de 1º Sócio Honorário da APED, conforme decisão da última Assembleia Geral.

Não posso terminar esta página sem assinalar que este será o último número da revista DOR em que o Dr. José Manuel Caseiro desempenha as funções de director executivo da revista.

Foi uma decisão pessoal do Dr. Caseiro, adiada a meu pedido até não ser mais possível, cujos motivos compreendo e aceito perfeitamente, mas que não posso deixar de lamentar enquanto director da revista e presidente da APED, face à elevadíssima qualidade do trabalho levado a cabo pelo Dr. Caseiro na condução da revista, tanto do ponto de vista editorial como de suporte financeiro.

Diz-se que ninguém é insubstituível, mas não há dúvida que algumas pessoas são-no mais que outras, e será seguramente muito difícil encontrar alguém que tenha a inteligência, a disponibilidade, o empenho e o saber fazer demonstrados pelo Dr. José Manuel Caseiro ao longo dos anos em que desempenhou as funções que agora cessa. Felizmente, estou seguro que poderemos continuar a contar com a sua colaboração pontual, aumentando assim ainda mais a enorme dívida de gratidão que a APED já tem para com ele.

Em meu nome pessoal e em nome da APED, muito obrigado Dr. Caseiro!