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Director
José Manuel Castro Lopes

Director Executivo
José Manuel Caseiro

Acessora de Direcção
Ana Regalado

Conselho Científico
António Coimbra, António Palha, Aquiles Gonçalo, Armando Brito e Sá, Cardoso da Silva, Daniel Serrão, (Pe) Feytor Pinto, Gonçalves Ferreira, Helder Camelo, João Duarte, Jorge Tavares, José Luis Portela, José Manuel Castro Lopes, Maia Miguel, Martins da Cunha, Nestor Rodrigues, Robert Martins, Walter Oswald, Zeferino Bastos

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Sumário

  • Editorial - José Manuel Caseiro- 3
  • Mensagem do Presidente da APED - José Manuel Castro Lopes - 5
  • Um caso de ergotismo num doente VIH+. Tratamento da dor isquémica - Carmen Teixeira Almarza- 7
  • Estudo comparativo da analgesia pós-operatória obtida com o cetorolac e com a associação tenoxicam/paracetamol - Rui Valente, Helena Costa, Diogo Couceiro, Paula Alves, Zeferino Bastos - 13
  • Avaliação da qualidade da analgesia pós-operatória num Serviço de Cirurgia Geral - Raquel Monte, Paula Silva, Humberto Machado, Júlio Guimarães - 17
  • Codificação populacional da dor: o papel das redes neuronais espinais e talâmicas na génese e manutenção de dor persistente - Vasco Galhardo - 19

Editorial - As Sociedades Anónimas - “The test of a system of medicine should be its adequacy in the face of suffering” (Eric Cassel) - José Manuel Caseiro

Com o advento da medicina moderna e os notáveis avanços nos processos curativos, a importância do alívio da dor e do sofrimento diminuiu drasticamente, principalmente nas situações em que o sua abordagem possa aparecer separada ou distinta do tratamento da doença subjacente.

Vivemos assim, na actualidade, um modelo de formação e prática médica que poderemos chamar de “curativo”, para o podermos distinguir de um outro, o modelo “paliativo”, de características opostas, mais condizente com o processo de doença, que se preocupa com o cuidado e o conforto de quem sofre, respeitando a experiência individual de cada um.

Esta dicotomia tem raízes culturais - a cura é o que a sociedade procura e reclama - que fazem do primeiro modelo o prevalente, relegando o segundo para as situações em que a esperança de cura se perdeu.

Esta hegemonia do modelo curativo tem dificultado enormemente o desenvolvimento das metodologias de abordagem da dor e do sofrimento, já que há uma enorme tendência para se substimar o que se “aprendeu” a classificar de secundário.

Em 1996, um projecto internacional do Hastings Center entitulado “The Goals of Medicine – Setting New Priorities” distinguiu, no seu relatório, as seguintes prioridades:

  1. A prevenção da doença e a promoção e manutenção da saúde;
  2. O alívio da dor e do sofrimento cusado pelas doenças;
  3. O cuidado e a cura dos que estão doentes e o cuidado dos que não podem ser curados;
  4. O impedimento da morte prematura e a busca empenhada de uma morte tranquila.

Quanto mais evoluído for um sistema de saúde melhor fará o balanço entre os dois modelos, se bem que mesmo em paises desenvolvidos se continuem a encontrar fortes barreiras ao alívio da dor, por razões de natureza diversa, mas mais marcadamente culturais e sociopolíticas do que económicas ou tecnológicas.

Dito isto e confessando-me, desde já, como um adepto dos novos ventos empresariais que agora se começam a sentir nalguns hospitais portugueses e reconhecendo que o anterior sistema se aproximava do seu esgotamento, não consigo disfarçar alguma intranquilidade sobre a forma como se lidará com aquelas duas perspectivas, já que a segunda – a “paliativa”, não irá conseguir ombrear com a primeira – a “curativa”, no sensacionalismo que os media imprimem às listas de espera e na fria análise dos números que muitos gestores, menos adaptados ao mundo da doença, entendem determinadamente ser o objectivo principal da sua acção.

Ainda assim – pedindo desculpa pelo meu optimismo – acredito que a conciliação dos dois modelos será possível.

Bom Ano de 2003!

Mensagem do Presidente da APED - José Manuel Castro Lopes

O final do ano é, tradicionalmente, uma época de balanço. No que diz respeito à APED, vários foram os eventos que marcaram o ano de 2002.

Em Janeiro decorreu a Assembleia Geral Ordinária na qual foi decidido consultar os associados da APED, através de uma Assembleia Geral expressamente convocada para o efeito, sobre a criação de uma titulação em Medicina da Dor.

Em Março, a proposta para a criação de uma competência em Medicina da Dor foi aprovada por unanimidade, naquela que foi provavelmente a Assembleia Geral mais concorrida da história da Associação. De acordo com essa decisão, iniciaram-se os contactos com outras sociedades científicas no sentido de se elaborar uma proposta conjunta a apresentar à Ordem dos Médicos, proposta essa que está actualmente a ser finalizada depois de ter obtido o acordo de princípio de 6 sociedades.

Em Abril, um elemento da direcção da APED foi eleito pela primeira vez para o órgão executivo da European Federation of IASP Chapters (EFIC), dando assim uma maior visibilidade e um maior peso internacional à nossa pequena Associação.

Em Junho, o Dia Nacional de Luta Contra a Dor foi assinalado com eventos virados para o grande público, no sentido de alertar a população para a problemática da dor.

A Corrida Contra a Dor, realizada em Lisboa no dia 13, se ficou áquem do esperado em número de participantes, excedeu em muito as expectativas no que respeita à projecção mediática que teve. Para além dos spots publicitários exibidos como publicidade institucional na RTP, a iniciativa deu origem a 12 notícias e/ou entrevistas nos vários canais de televisão durante 4 dias, 4 entrevistas em estações de rádio de âmbito nacional e pelo menos 36 artigos na imprensa.

Os telefonemas de doentes, que “entupiram” a central telefónica do Instituto nos dias que se seguiram à corrida, vieram comprovar o impacto desta divulgação. Outras iniciativas igualmente destinadas à sensibilização da população decorreram em Coimbra, na Madeira e nos Açores, todas com um êxito assinalável.

Em Setembro tiveram início as sessões de sensibilização para o Plano Nacional de Luta Contra a Dor. Organizadas pela Direcção Geral de Saúde no âmbito das actividades da Comissão de Acompanhamento do referido plano, foi solicitada a colaboração da APED para a elaboração do programa e indicação dos oradores. Estas sessões abrangeram, até ao final do corrente ano, um universo de mais de 30 hospitais e 130 Centros de Saúde e destinavam-se fundamentalmente aos órgãos de gestão.

Embora o momento não seja o mais propício, dadas as alterações em curso nos processos de gestão hospitalar, e apesar de terem existido algumas falhas organizativas graves, a experiência veio demonstrar claramente que a sensibilidade dos colegas que trabalham em meio hospitalar é muito inferior à patente nos colegas dos cuidados de saúde primários. Novas metodologias estão já a ser elaboradas de modo a que a mensagem chegue aos seus destinatários e a implementação do Plano prossiga ao ritmo desejado.

Em Outubro comemorou-se a 2ª Semana Europeia de Luta Contra a Dor. A APED aproveitou a data para traduzir, produzir e apresentar publicamente um folheto da EFIC destinado aos doentes com dor crónica. Como era desejável e previsível, este evento teve menor repercussão mediática do que as comemorações do Dia Nacional de Luta Contra a Dor, mas os seus efeitos serão potenciados através da distribuição dos 100.000 exemplares impressos.

Em Outubro e Novembro decorreu o 1º Curso APED de Enfermagem em Dor. Com um programa científico que incluiu tanto a dor aguda como a dor crónica, este curso organizado pelo Enfº Rui Rosado, membro da Direcção da APED, realizou-se no Hospital Garcia de Orta em horário pós-laboral. Uma iniciativa semelhante está programada para decorrer no Porto durante o próximo ano.

Em Novembro decorreu o 1º Encontro das Clínicas de Dor da Revista Dor, uma iniciativa do Director Executivo da Revista que constituiu um êxito notável, não só pela elevada qualidade do programa científico e dos oradores, como também por ter conseguido mobilizar mais de 100 colegas representando 43 das 46 Unidades de Dor que foram identificadas no país.

Em simultâneo, foi publicada a 1ª edição do Prontuário das Unidades de Dor Portuguesas, uma publicação de enorme utilidade para todos os que por qualquer motivo pretendam obter informações sobre as unidades.

Foi pois um ano pleno de iniciativas, a que haverá que acrescentar as diversas reuniões, jornadas e simpósios organizados por outros colegas ou pela indústria farmacêutica, nas quais a APED colaborou sempre que solicitado.

Talvez por isto tudo, o número de associados tem vindo a aumentar a um bom ritmo, sinal do interesse que a APED continua a despertar nos profissionais de saúde que combatem a dor.

Qualquer associação científica depende essencialmente dos seus associados, e da dinâmica que os órgãos directivos lhe consegue imprimir. Estando neste momento precisamente a meio do mandato para que fui eleito, quero manifestar publicamente a minha profunda gratidão a toda a equipa que aceitou partilhar comigo a responsabilidade de dirigir a APED e a Revista Dor.

O seu empenho e dedicação têm sido inexcedíveis, tornando bem mais fácil a concretização dos objectivos a que nos propusemos.

Uma palavra especial de agradecimento é também devida aos patrocinadores que permitiram a realização de todos os eventos descritos, em particular aos que constituem o “núcleo duro” de apoio à APED.

São eles a AstraZeneca, Bristol-Meyers Squibb, Euro-Labor Grünenthal, Janssen-Cilag, Laboratórios Pfizer, Pharmacia e Viatris.

Sem o seu apoio quase incondicional, seguramente não seria possível fazer um balanço tão positivo.

Termino fazendo votos para que o ano que agora se vai iniciar seja ainda melhor do que 2002, tanto para a APED e seus patrocinadores como, muito especialmente, para os seus associados.