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José Manuel Castro Lopes
Director Executivo
José Manuel Caseiro

Acessora da Direcção
Ana Regalado

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António Coimbra, António Palha, Aquiles Gonçalo, Armando Brito e Sá, Cardoso da Silva, Daniel Serrão, (Pe) Feytor Pinto, Gonçalves Ferreira, Helder Camelo, João Duarte, Jorge Tavares, José Luis Portela, José Manuel Castro Lopes, Maia Miguel, Martins da Cunha, Robert Martins, Walter Oswald, Zeferino Bastos

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Sumário

  • Editorial - José Manuel Caseiro 3
  • Mensagem do presidente da APED - José Manuel Castro Lopes - 5
  • Dor – Uma Visão Socio-Jurídica - José Alberto Fial - 7
  • Morbilidade psiquiátrica numa unidade de dor - J. Arantes Gonçalves, A. Meireles - 21
  • Descompressão microvascular no tratamento da nevralgia do trigémeo. Técnica cirúrgica e resultados a longo termo - Miguel Casimiro, Joaquim Pedro Correia, José Cabral - 27

Editorial (José Manuel Caseiro)

Acabou a EFIC (European Federation of the IASP Chapters) de declarar a semana de 8 a 13 de Outubro de 2001, como a "Semana Europeia Contra a Dor" (ver respectivo anúncio no interior desta revista), pedindo uma extensa colaboração para poder fazer-se deste evento um sucesso em cada país.

Se é com uma ponta de vaidade que não resisto a ver nesta iniciativa uma ideia manifestamente inspirada no pioneiro "Dia Nacional de Luta Contra a Dor" que o nosso País consagrou, sob proposta de um grupo de trabalho da Direcção Geral da Saúde, onde a APED esteve representada pelo Dr. Nestor Rodrigues, o Dr. Zeferino Bastos e por mim próprio, não é menos verdade que me perfilo, desde o primeiro instante, entre os que aplaudiram esta  importantíssima declaração da EFIC.

Está já garantida a participação da APED na divulgação em Portugal dos propósitos gerais que se anunciam e que têm, como objectivos extremos, duas metas a atingir:

  1. informar e sensibilizar os lideres de opinião sobre a problemática da dor e das necessidades de quem sofre e dos que deles cuidam;
  2. incrementar os conhecimentos sobre a dor e a sua abordagem entre os clínicos e os outros grupos profissionais nela envolvidos.

É portanto a altura ideal para podermos reflectir sobre o que poderá significar, no nosso País, um sucesso desta iniciativa, tanto mais que se aproxima o momento da divulgação do já concluído e superiormente aprovado Plano Nacional de Luta contra a Dor, pelo que lanço também o repto à Direcção Geral de Saúde para que garanta, se o não fizer antes, a sua larga distribuição durante o período proposto

Permitirá o eco que os media se encarregarão de fazer durante essa semana, permitirá sensibilizar os responsáveis da saúde, os lideres de opinião, os gestores hospitalares e até a sociedade civil para a importância da verdadeira implementação nacional de medidas de combate à dor?

E os profissionais de saúde, sejam eles quais forem, médicos e enfermeiros incluídos, estarão disponíveis para interiorizar a necessidade de uma prática permanente de atitudes que possam conduzir à erradicação da dor, sem sistematicamente desvalorizarem o que de bem já se vai fazendo ou depreciarem o inconformismo dos que teimosamente se posicionam no terreno a favor deste combate?

E a Ordem dos Médicos? O problema interessa- lhe? Quantas vezes já se debruçou ou se pronunciou sobre ele e que tipo de importância pretende dar-lhe no futuro? Irá tentar seguir na carruagem da frente ou refugiar-se na expectativa de ver em que pararão as decisões de outros países para, sobre elas, construír a sua própria?

E os novos Hospitais, públicos ou privados? Vão finalmente dar o exemplo, constituindo unidades de dor multidisciplinares com staff próprio, apostando numa estratégia de apoio aos doentes com dor? E os velhos Hospitais? Vão aproveitar a onda e, utilizando os meios que dispõem, com ou sem Quadro Comunitário de Apoio, organizarem-se em volta destes objectivos? E o Ministério da Saúde? Abraçará, de facto, a sua promessa de fazer da terapêutica da dor uma prioridade do Serviço Nacional de Saúde? E as Faculdades? Assumirão em definitivo a necessidade de incluír no ensino da medicina a disciplina da Abordagem e Terapêutica da Dor? É que, verdadeiramente, não consigo descortinar o que em Portugal poderá significar sucesso desta oportuníssima iniciativa da EFIC, se aquelas perguntas que deixei não começarem urgentemente e de forma irreversível a ser respondidas.

Não consigo esconder algum desencanto sobre o actual panorama nacional nesta matéria, quando olho para o lado e não vejo progressos palpáveis na alteração de comportamentos e atitudes nem na implementação de medidas consistentes de mudança.

Este estado de espírito justifica também alguma descrença, que não disfarço, nos resultados que a Semana de Luta Contra a Dor irá obter no nosso País, mas não gerará em mim qualquer atitude de desânimo nem de desistência, na denúncia das citadas insuficiências, nem abalará a paixão com que me dedico a esta causa, em total solidariedade com todos os que também pensam deste modo e que já não são assim tão poucos.

Será a persistência deles que alimentará a minha e o seu exemplo que me encorajará. 

 

Mensagem do Presidente

Os novos corpos sociais da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) foram eleitos em Espinho no passado dia 14 de Junho, naquela que foi, provavelmente, a Assembleia Geral mais participada na história da APED. Esta participação deve-se certamente ao aumento considerável do número de associados verificado nos últimos anos, e também ao facto de ter ocorrido no dia em que se comemorava o 3.º Dia Nacional de Luta Contra a Dor, no decurso do DOR 2001, um congresso que contou com cerca de 250 participantes.

A confiança expressa na votação na lista concorrente representa pois uma responsabilidade acrescida para quem agora inicia funções. Responsabilidade essa claramente assumida por todos os elementos da direcção e do conselho fiscal, e consubstanciada no compromisso de continuar empenhadamente o trabalho dos nossos antecessores no sentido de contribuir para a melhoria, no nosso país, do ensino, investigação e assistência no âmbito da dor.

Os objectivos a que nos propômos podem dividir-se fundamentalmente em 2 "frentes", uma interna e outra externa. Na frente interna saliento a necessidade de se proceder à revisão dos estatutos da associação, solicitar o estatuto de "Associação Científica Sem Fins Lucrativos", proceder ao registo da sigla e do logotipo da APED, manter a publicação regular da revista DOR como órgão de expressão oficial da APED, mantendo a prestimosa colaboração do Dr. José Manuel Caseiro, criar uma página da APED na Internet e proceder à re-organização interna da associação, tarefa que se torna agora mais necessária dado o já mencionado aumento do número dos seus associados.

Na frente externa ressalta o propósito de dar uma maior visibilidade à APED, através da promoção de actividades organizadas pela própria associação ou em conjunto com outras organizações, de modo a que a associação congregue um cada vez maior número de pessoas de diversas áreas interessadas na dor. Será também feito um esforço para que, não só os profissionais de saúde e as entidades governativas, mas também a população em geral, tome consciência da importância da dor crónica como um grave problema de saúde pública.

Neste contexto, é nossa intenção apoiar a realização de um estudo epidemiológico, cientificamente validado, sobre a incidência da dor crónica no nosso país. Iremos também promover um inquérito sobre o ensino da algologia nas instituições universitárias, e proseguir o debate sobre a eventual criação de uma subespecialidade ou competência em Algologia / Medicina da Dor.

O Plano Nacional de Luta Contra a Dor, elaborado no seio da Direcção Geral de Saúde com a colaboração de vários membros da anterior e actual direcção da APED, foi aprovado pela Dr.ª Manuela Arcanjo dias antes da sua demissão como ministra da Saúde. Existem já alguns indícios do empenhamento da nova equipa governativa na sua implementação.

Dado o enorme avanço que a sua aplicação prática representará no capítulo assistencial da dor, receberá a nossa particular atenção.

Enumerei alguns dos nossos objectivos, mas nesta hora de mudança não posso deixar de me referir ao trabalho realizado pela anterior direcção da APED, e em particular pelo meu antecessor, Dr. Nestor Rodrigues. Não sou seguramente a pessoa indicada para o fazer, pois por um lado exerci funções na anterior direcção, e por outro lado ligam-me ao Dr. Nestor Rodrigues laços de uma amizade muito antiga que certamente influenciam o meu raciocínio.

Posso no entanto enaltecer aqueles que foram para mim os dois contributos mais importantes da anterior direcção da APED, até porque muito pouco contribuí para a sua realização: o aumento extraordinário do número de associados e a elaboração do Plano Nacional de Luta Contra a Dor.

Como acima mencionei, empenhar-nos-emos firmemente para consolidar esta faustosa "herança". Por fim, seria uma profunda e imperdoável injustiça não realçar o pioneirismo e o contributo ímpar que o Dr. Nestor Rodrigues prestou à APED e à causa do combate à dor em Portugal.

Combate esse que foi muitas vezes sinónimo de combate à ignorância, ao atavismo, ao preconceito, e cujas linhas mestras foram já referidas nesta revista no editorial da autoria do Dr. António Gonçalves Ferreira (DOR 2001; 9: 3-4).

Penso que a homenagem que lhe devemos não cabe nas páginas de uma revista pelo que, para já, apenas aqui deixo o meu singelo: MUITO OBRIGADO!