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Director da revista
Sílvia Vaz Serra

Editores
Cristina Catana
Graça Mesquita
Ricardo Pestana
Rosário Alonso

Súmario

Editorial - 3
Um País com Dor - 4
Acupunctura e Efeito Placebo - 6
Potencial Terapêutico dos Canabinóides - 9
A Terapêutica Farmacológica da Dor Neuropática: Linhas Orientadoras Recomendadas - 14
Formulação de Pastilhas Moles para o Tratamento da Mucosite Oral - 21
El Ácido Hialurónico en el Tratamiento del Dolor Articular - 27
Polimedicação no Doente Idoso com Dor Crónica - 33
Comentário Crítico - 37

Editorial - Sílvia Vaz Serra

«Olá, uma vez mais.
Este volume não poderia começar de melhor forma. Um caminho para Portugal, a visão deste país por um «médico das almas», que culmina com um estrondoso poema de Manuel Alegre. E este texto lembrou-me o poema de Adriano Correia de Oliveira «Cantar de Emigração»... Mas há caminhos enunciados: educação, ciência e cultura. E é destas matérias que falamos nesta revista. Uma vez mais, velhas, novas técnicas cruzam-se com novas e promissoras abordagens e técnicas, o velho que se faz novo.... um caminho infinito e, necessariamente, profícuo.
A importância e relevância da acupunctura como técnica terapêutica complementar em dor é inquestionável. A possibilidade dos efeitos terapêuticos se deverem exclusivamente a efeito placebo tem sido uma preocupação desde que a acupunctura passou a ter maior visibilidade no ocidente. Será que o efeito analgésico da acupunctura, uma das principais indicações para esta técnica terapêutica, é apenas dependente de efeitos inespecíficos e relacionado com atividade cerebral nas áreas que se sabe estarem relacionadas com a expetativa de analgesia? Não será o efeito placebo um contributo importante no resultado final de qualquer procedimento terapêutico, incluindo a acupunctura? Importante ler este pertinente artigo.
O texto que se segue é o rosto da expressão «várias faces da mesma moeda»: a possível utilização dos canabinóides para efeitos terapêuticos, requerido o cumprimento das regras da boa arte médica e das normas de segurança e efi cácia, confirmadas pelos estudos exigidos pelas autoridades reguladoras da comercialização de fármacos. O contexto do debate é centrado no uso médico dos canabinóides, em diversas situações terapêuticas, que vale a pena sublinhar, e estar atento às conclusões. Vai querer sabê-las, estou certa.
O presente ano de 2015 é o ano que a YASP decidiu consagrar à dor neuropática, e nada mais oportuno que o presente artigo. A autora procedeu à recolha de literatura na base de dados Medline e Cochran, à análise e comparação de diversos guidelines publicados por várias organizações mundiais, e conclui considerando as opções terapêuticas orais e tópicas disponíveis atualmente no mercado nacional. Importante a sua leitura.
O artigo seguinte reflete o caráter inovador e a procura de formas farmacêuticas orais que melhorem a adesão, facilitem a administração e garantam a eficácia de terapêuticas (também em ambulatório) numa situação tão particular como a mucosite oral, infelizmente tão comum em doentes oncológicos. Não é esquecida uma proposta de continuidade de trabalho: o desenvolvimento de uma formulação isenta de sacarose. A ler com atenção.
O próximo texto aborda a utilização do ácido hialurónico. Após uma descrição da molécula, mecanismo de ação e formas de utilização, o autor efetua uma exaustiva análise de trabalhos conducentes à procura de uma resposta clara sobre a eficácia e segurança da infiltração des- ta substância em distintas articulações. Conclu- sões surpreendentes? Ou talvez não...
A nossa população encontra-se envelhecida, é um dado objetivo, tal como o é o grande número de pessoas institucionalizadas. Neste trabalho, os autores pretenderam avaliar o nível de polimedicação nos doentes idosos que frequentam a consulta de dor crónica de um centro hospitalar e detetar quais os princípios ativos potencialmente inapropriados que contribuem para esta prescrição. Foi encontrada uma correlação positiva entre doentes institucionalizados e polimedicação. Da análise dos resultados, concluem pela necessidade da revisão exaustiva da prescrição em cada consulta, e pela importância da diminuição do número de princípios ativos prescritos de modo a reduzir os riscos associados a esta prática. A assinalar.
O último texto encerra em si uma inovação nesta revista: a inclusão de comentários críticos a artigos nacionais ou internacionais publicados. A opinião, a discussão é um elemento essencial da luz, do conhecimento. Um artigo que aborda uma temática particularmente pertinente e atual (dor crónica pós-cirúrgica) é o ponto de partida para a opinião crítica destes autores. Obrigatório ler e reter.
Termino com uma estrofe de um poema de Sebastião da Gama:
"Meu país desgraçado!...
E no entanto há sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso, nem pássaros, nem águas".
Até breve.