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Director da revista
Sílvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita

Sumário

  • Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia - 3
  • Editorial - Graça Mesquita - 4
  • Dor nas Crises Vaso-oclusivas
– O Grande Problema da Drepanocitose – Sónia Gonçalves Leocárdio e R. Gerivaz e M. Silva – 5
  • Dor Fantasma após Amputação dos Membros Inferiores: um Estudo Piloto – Luisa Sousa Valente, Salomé Pestana Cruz, Lurdes Gonçalves Castro e Marta Alves - 9
  • Dor Aguda por Mucosite Oral em Doentes Oncológicos - Fábio Morgado Gomes, Lígia Costa
e Maria de Lurdes Batarda - 16
  • Dor Persistente Pós-cirúrgica: Reflexão Crítica
Acerca de Fatores de Risco e Estratégias Preventivas
de Intervenção Psicológica – Patricia R. Pinto e Armando Almeida - 23

Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia

2013, ano de crise!... de um país que tarda a reencontrar-se, numa situação que a todos nos atinge, que nos perturba e nos atormenta. Crise de valores e de referências, a que não estamos alheios, consequente e consequência das alterações sócio económicas vivenciadas, de difi- culdades acrescidas para todos os portugueses, em que a APED não será exceção!...

Dirijo-me, na qualidade de presidente de uma direção por vós eleita, que inicia o terço final do seu mandato, crendo que esta terá estado, porventura, aquém das vossas expetativas, desejos, ou necessidades, mas que apesar das várias vissicitudes e da ..., tem tentado combater a letargia, evitar o conformismo, antítese do dinamismo que gostaríamos que fosse sinónimo da nossa atividade. Sociedade que desejamos plural, plena e participativa, um espaço de abrangência para todos os que se dedicam ao estudo e ao tratamento da dor, entidade facilitadora na percussão dos objetivos que todos pugnamos, consagrados nos es- tatutos da APED. As vossas sugestões, as críti- cas, o envolvimento e o empenho de todos vós é fundamental, pois só assim será possível atingirmos as metas a que nos propusemos.

Este ano organizaremos duas atividades que terão, na nossa opinião, algum impacto mediático, traduzindo-se num despertar da opinião pública e dos media para o tema DOR. Refiro-me ao XXII aniversário da APED, vocacionado para a sociedade civil, que se comemorará em Lisboa, e ao IV congresso interdisciplinar de dor que decorrerá no Porto, nos dias 17, 18 e 19 de outubro, integrando neste evento as comemorações do Dia nacional de luta contra a dor.

Porque pretendemos um congresso participativo, provido de um programa científico válido, bem estruturado, dotado da maior consistência científica, atrativo, abragendo e captando um vasto número de interessados das mais variadas áreas dedicadas ao tratamento da dor, convido-vos a apresentarem as vossas propostas e sugestões, enviando-as para o meu e-mail fcor@netmadeira.com, ou para o secretariado da APED tavaresa@med.up.pt.

A nossa atividade não se esgotará nestes dois momentos! Organizaremos, no decorrer deste ano, diversas eventos de dimensões variadas, com temas diversificados, destinados a diferentes públicos. Incentivaremos os grupos de trabalho existen- tes ou a formar, pugnaremos que a sociedade mantenha o seu dinamismo, que desejaríamos que fosse acrescido, envolvendo um número maior de sócios e todos os parceiros individuais ou coletivos com interesse ou dedicados à medicina da dor.

Manteremos uma gestão, de acordo com as vivências atuais, integrados num contexto de algumas restrições, sem descurar jamais os objetivos da APED, uma sociedade científica de natureza não lucrativa, consagrados nos seus estatutos (promover o estudo, o ensino e a divulgação dos mecanismos fisiopatológicos, meios de prevenção, diagnóstico e terapêutica da dor).

Por estes motivos, manteremos a parceria para atribuição das bolsas de formação APED/ JANSEN, e suportaremos integralmente as outras bolsas de formação atribuídas no ano anterior, que serão denominadas prémio APED/bolsas de formação em medicina da dor (duas de natureza clínica e uma destinada às ciências básicas).

Cremos que estas bolsas de formação na área da dor, destinadas a todos aqueles que exercem atividade clínica ou de investigação, serão um contributo modesto, mas é o atualmente possível nas atuais circunstâncias. O seu regulamento (cujos estágios serão realizados no estrangeiro), prazos, condições de candidatura e outras infor- mações estarão disponíveis no nosso portal www.aped-dor.com, a partir do início de abril de 2013, sendo o anúncio dos laureados efetuado em junho, no decorrer do XXII aniversário da APED.

Procuraremos, de forma ativa, manter as parcerias já estabelecidas para atribuição dos prémios: Vou desenhar a minha dor, Revista dor, Jornalismo/dor, e procederemos, a exemplo dos anos anteriores, à sua entrega no Dia nacional de luta contra a dor.

A extinção da CNCDOR e a sua possível substituição por grupo(s) de trabalho no âmbito da DGS implica um acréscimo de responsabilidade da APED na sensibilização dos decisores e do poder político. A maior celeridade na publicação em Portaria da Tabela de Medicina da Dor, sucessivamente protelada e adiada, cujos trabalhos se iniciaram no longínquo ano de 2009, no âmbito da CNCDOR, e posteriormente desenvolvidos e concluídos na ACSS (Administração Central dos Sistemas de Saúde, IP), constitui um objetivo primordial e incontornável, pelo que continuaremos a desenvolver todos os esforços na sua almejada concretização.

Recordo-vos ainda que este ano, em outubro, terá lugar a eleição dos corpos sociais da APED, cujas propostas de alternativa serão um símbolo e um exemplo de maturidade de uma sociedade que pretende uma continuidade na evolução e não apenas uma evolução na continuidade.

Até beve

Editorial - Graça Mesquita

A dor é fundamental para a sobrevivência de um organismo, constituindo um sinal de alarme indispensável na deteção de lesões e patologias diversas.

A dor aguda é o tipo mais frequente de dor, sendo responsável por mais de dois terços das idas ao serviço de urgência1. Apesar de todos os avanços nesta área, continua a verificar-se um controlo inadequado. A dor aguda não controlada causa desconforto e sofrimento, aumen- ta o risco de morbilidade, tempo de internamento e risco de cronificação2. Toda a dor crónica, nalgum momento, foi uma dor aguda3.

Neste número, são apresentadas situações de dor aguda no contexto de doenças crónicas. São exemplos, a mucosite oral, um importante evento adverso da terapêutica antineoplásica e as crises vaso-oclusivas na drepanocitose.

Quando ultrapassada essa função de alerta, a dor, ao tornar-se crónica, perde em grande parte a sua importância fisiológica e torna-se fonte de morbilidade, perda de funcionalidade e qualidade de vida.

A dor crónica pós-cirúrgica apresenta uma prevalência elevada, variável com o tipo de cirurgia2. As suas consequências são significativas, não só em termos de sofrimento individual e redução da qualidade de vida, mas também nos custos elevados dos cuidados de saúde2. São várias as estratégias sugeridas como possibilidade

de um efeito preventivo, que incluem o uso de técnicas cirúrgicas que reduzam a lesão do nervo, o uso de anestesia/analgesia regional e a administração de fármacos anti-hiperálgicos. Todavia, não existem dados suficientes para sugerir protocolos com efetividade comprovada. É apresentado um artigo com uma reflexão crítica sobre os fatores de risco e estratégias preventivas de intervenção psicológica, para prevenir a dor crónica pós-cirúrgica.

Apesar de a evidência científica se basear em ensaios clínicos aleatorizados, estes não são a única fonte de informação. Os estudos observacionais permitem avaliar a efetividade dos vários tratamentos nos nossos doentes, os seus efeitos a longo prazo, levando a modificações de atitudes.

Neste número é descrito um estudo observacional, numa situação de dor crónica pós-cirúrgica, a dor fantasma, em doentes submetidos a amputação por doença vascular arterial.

Bibliografia
1. Cordell WH, Keene KK, Giles BK, Jones JB, Jones EH, Brizendine EJ. The high prevalence of pain in emergency medical care. Am J Emerg Med. 2002;20:165-9.
2. Macrae WA. Chronic post-surgical pain: 10 years on. Br J Anaesth. 2008;10:77-86
3. Katz J, Seltzer Z. Transition from acute to chronic postsurgical pain: risk factors and protective factors. Expert Rev Neurother. 2009;9: 723-44.